terça-feira, 28 de julho de 2015

De Isaías para Lima



Como já devem ter reparado Isaías tem um cantinho especial no coração dos autores deste blog. Eu aprendi a ser tolerante com o Isaías. Sempre que o Pesaresi mandava um cruzamento para a bancada...

«Ó, deixem lá, o Isaías também se fartava de mandar bolas para a bancada e era um craque»

O encanto pelas bujas. O encanto por aquele gesto sublime que é puxar a perna atrás e PUM. Estoiro. Golo! Golaço! A buja! O patardo de força! A violência no encontro da bola com a rede! Isaías dava-nos essa esperança de que, a qualquer momento, lá surgia um torpedo. Não sabíamos onde ia cair, mas aprendemos a tolerá-los quer caíssem no fundo das redes quer ao colo da velhinha do tricot na bancada. 
E Isaías pulava com as mãos na cabeça a fazer corninhos, a fingir que gozava com um touro, a fingir que era um touro ou simplesmente para dizer às bancadas um enorme... 

«Caríssimo... Seja bem-vindo à tourada do Campo Grande»

E Isaías falava aos microfones para dizer que infelizmente havia pessoas extra-futebol que faziam do espectáculo uma grande porcaria. Isaías para sempre herói, mito, lenda.

Anos mais tarde, depois de outros tantos avançados brasileiros terem tentado escrever a sua história, chegou ao Benfica o nosso Lima. Paulo Nunes, Valdir, Donizeti, Marcelo, Anderson (o do Alverca, eu não me esqueço), Alan Kardec, Keirrison, Derley, Derlei, Eder Luiz, Marcel, Manduca... Enfim, a minha memória não estica mais. O que é certo é que estes todos se esqueceram da caneta para escrever na história do Benfica. Lima não. 

Não vou falar nas batatinhas do Dragão. Não vou falar sobre o golo ao Sporting depois do Gaitán ter andado a brincar com o comando da playstation com os defesas leoninos. Não vou falar das DEZENAS de golos cruciais mas lembro só aquela batatinha de livre a desbloquear o 1-1 em Vila do Conde em 2013/14. Sabem do que vou falar? Sabem que imagem carinhosa e maravilhosa vou guardar do Lima? A carroça com que este menino estava na festa do título 2013/14. Chapéu para trás à rebelde. Um enrolar maravilhoso de palavras só ao alcance do melhor ébrio. Um festim de Baco, uma festa linda, um quero lá saber e vivó Benfica em cada gesto do nosso Lima nessa noite.

Em Monte Alegre, no Pará, a vida corre devagar. Não há pressa. Entras num café, pedes pão de queijo, apontam-te o balcão da recepção e dizem «pega lá, deixe a grana lá». A vida corre sem pressa e as pessoas têm sempre gotinhas de suor à flor da pele; como Lima. A humidade, o calor abafador naquela região tropical faz com que as pessoas transpirem como Lima aqui transpirou. Lima deu-se bem porque nós, os 30 mil adeptos de sempre, lhe demos a estufa de que ele necessitava para crescer. E a planta carnívora, devoradora de animais, devorou e triturou leões, dragões entre outros bichos. 

Aumentem a estufa, amigos benfiquistas. Não há forma melhor de homenagear Lima. Não há forma melhor de homenagear quem faz e fez parte da história do Benfica. Transformem os habituais 30mil em habituais 60mil. Transformem a Luz num inferno tropical cheio de criaturas mitológicas capazes de devorar defesas em milésimos de segundo.

O Lima agradece. 



segunda-feira, 27 de julho de 2015

Hajduk e Benfica no mesmo trilho

Igor Tudor, mítico defesa croata da Juventus assumiu o comando técnico do Hajduk Split (clube onde é um símbolo) em 2012/13, conquistando logo na época inicial uma Taça da Croácia ao Lokomotiva de Zagreb de Tomislav Ivkovic. Tudor aprendeu com Edoardo Reja (treinador do qual Tudor foi assistente no Hajduk) e com Antonio Conte (fez um estágio na Juventus ao mesmo tempo que em 2013 orientava os sub-17 do Hajduk) a metodologia que queria implementar no treino. O 3-1-4-2 de Tudor era visto como cativante por parte dos adeptos e dava resultados. Mas como tudo na vida não pode ser perfeito, este Hajduk de 2013 a 2015 tinha um problema, um problema de filosofia. O dinheiro não abunda em Split e a direcção não deu a Tudor o defesa que ele queria no mercado de inverno. Existia talento na academia, talento com o qual Tudor inclusive tinha trabalhado em 2013, mas Tudor continuava a preferir a experiência e continuava a exigir a contratação de jogadores formados, ao invés de os formar. Tudor até apostava neles de quando em vez, mas a falta de estaleca táctica dos miúdos punha o seu sistema de 3 centrais em risco. A direcção do Hajduk, a desesperar por dinheiro e com os diamantes por lapidar na academia, tentava colocar pressão em Tudor. A pressão não resultou, Tudor saiu e para o seu lugar vem um treinador croata com escola alemã. Damir Buric foi adjunto de Sascha Lewandowski (Leverkusen) e de Robin Dutt (Werder Bremen) e chega com outro tipo de ideias ao Hajduk... Mas também com outro tipo de resultados. O Hajduk iniciou de forma horrível o campeonato, tendo sido goleado no último fim de semana, 4-1, pelo Istra de Igor Pamic. 

Esta história não está muito longe daquela que se vive na Luz. Jorge Jesus sempre falou nas etapas da vida dum atleta e sempre foi contra "queimar etapas", nunca forçando a titularidade de jovens e preferindo esperar pelo que o tempo ou pelo que Luís Filipe Vieira lhe traziam. Tudor pensava da mesma maneira. Os problemas financeiros no Benfica não são tão graves quanto os do Hajduk, mas o investimento feito no Seixal, as promessas eleitorais de Vieira e uma nova geração cheia de talento no futebol português a despontar, fizeram com que Jesus saísse pela porta pequena dum clube onde tinha atingido um sucesso estrondoso enquanto treinador. Curiosamente, mal chega a Alcochete, saca Gelson Martins que parece capaz de revolucionar todo o futebol ofensivo dos leões. O futebol não é linear e se a mira de Jesus provavelmente falhou o alvo Bernardo Silva, parece agora ter acertado completamente no alvo Gelson. Isto para dizer que Jesus ou Tudor podem perfeitamente funcionar num clube com o objectivo "formação" bem patente. Tal como Jesus sacou e lançou na equipa principal André Gomes, Ivan Cavaleiro ou Gonçalo Guedes, Tudor lançou Maloku, Basic e outros tantos. Claro que as realidades são bastante díspares mas o certo é que ambos, Tudor e Jesus, saíram por terem filosofias ou ideias diferentes das dos dirigentes de Benfica e Hajduk, apenas e só por acharem que o sucesso desportivo a curto prazo não pode ser hipotecado pela aposta em jovens às cegas. Tenho a certeza que existirão outros motivos para a saída de Tudor e Jesus, mas este tema fracturante, o tema da aposta na formação e no retorno financeiro que esses jovens trazem ao clube, foi sem dúvida o principal motor para essas mudanças na equipa técnica.  

Voltando ao Hajduk, convido-vos para assistir da primeira fila ao desfile de talentos que podem trazer um futuro bastante risonho ao clube de Split a médio/longo prazo. Jogam na 5ª feira para o playoff da Liga Europa contra o Stromsgodset da Noruega. Prevê-se um grande espectáculo.


Andrija Balic, 17 anos, Médio defensivo. Gosta de organizar o jogo, tem recorte técnico da escola do Modric e Rakitic, gosta de se aproximar da área adversária para experimentar a sua buja. Do que tenho visto parece-me o maior talento de todos. É impressionante como aos 17 anos joga com tanto à vontade e com tanta classe. Craque da cabeça aos pés.

Josip Basic, 19 anos, Ala direita. Parece-me que terá mais futuro como lateral do que como médio ou extremo direito. Forte fisicamente e com boas qualidades técnicas no passe, peca a nível de recepção e no 1 contra 1. Precisa de evoluir muito mas parece-me que o talento está lá

Nikola Vlasic, 17 anos, médio ofensivo. Este, tal como Balic, não engana... Rápido a reagir, frio à frente da baliza, técnica fina, recepção, buja, joga em espaços curtos, enfim, o que é que se pode querer mais? Dá gosto vê-lo jogar.

Elvir Maloku, 19 anos, extremo esquerdo. Foi lançado muito novo no Hajduk por Igor Tudor e tem vindo a perder espaço. Não deixa de ser visto como um dos maiores talentos mas precisa de se motivar para poder comprovar o potencial que tem. Rápido, bom drible, bom remate, falta-lhe acima de tudo intensidade.






domingo, 5 de julho de 2015

Crimes na Copa America


CRIMINOSOS

Alexis Sanchez fez o que tinha que ser feito. Um golpe sem dó nem piedade. Crueldade servida à temperatura do topo dos Andes. Gelou o corpo de Messi. Podia ter também gelado o cérebro do Tata Martino... Mas Tata não tem cérebro para congelar.

Nos últimos 3 campeonatos do Mundo só o do ano passado no Brasil contou com uma equipa sul-americana na final. A Argentina de Sabella jogava um futebol patético e só marcou presença na final por sorte e por Messi. Apanhou nos oitavos a Suiça e suou para a ultrapassar no prolongamento. Apanhou a Bélgica nos quartos e quem viu o jogo deve-se lembrar do azar do De Bruyne onde a bola batia em todo o lado menos no fundo das redes. Nas meias-finais, contra a Holanda, só carimbou a passagem nos penaltis. Na final a raça sul-americana dos jogadores fez com que não sofressem uma humilhação à conta da melhor selecção do mundo: a Alemanha. O trabalho de Sabella? Estar no banco ou não estar ia dar ao mesmo.

Tata Martino é como Sabella e como Dunga e como outros tantos. São péssimos no que fazem e escolheram a profissão errada porque fazem mal ao futebol de que gostamos. Mas para eles está tudo 5 estrelas porque estão com o cu cheio de dinheiro. Agradeçam aos engravatados que vos contrataram e a todos os santinhos porque se as vossas federações percebessem de futebol estavam todos a lavar escadas no Maracanã. Treinadores como Tata Martino ou Dunga fazem figura de corpo presente.

Nem Argentina nem Brasil sabem defender. Os jogadores sabem. Muitos trabalham todos os princípios de que precisam para saber defender nos seus clubes europeus. Mas Tata Martino e Dunga não sabem montar uma equipa que possa usufruir do talento dos seus defesas. Então o que fazem? Enchem a equipa com jogadores de características defensivas. Ainda pensam em 2015 que podem dominar um jogo e demonstrar o favoritismo que possuem desta forma. Não podiam estar mais enganados.

Mas vamos aos 11 base brasileiro e argentino. Confesso que já estava cheio de saudades da famosa táctica do pirilau. Uma táctica que ficou famosa em Portugal com o Paulo Autuori e que pelos vistos ainda se aguenta até 2015. Isto falando do Brasil... Já a Argentina do Tata Martino é igual a tudo, é enfadonha, é um atentado a quem gosta de futebol ainda por cima com génios como Messi, Di Maria ou Aguero na convocatória.


Eu imagino estas selecções orientadas por um técnico espanhol como Unai Emery, Marcelino Toral ou Paco Jemez. Eu imagino estas selecções orientadas por um técnico da escola alemã como Roger Schmidt, Dieter Hecking ou o suiço Lucien Favre. O que têm todos em comum? Ideias. As suas equipas atacam, marcam golos e dá gosto ver os seus jogos. Lembram-se quando ver o Brasil ou a Argentina era bom? Eu não. Nunca vi isso acontecer. Nem quando havia Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. Lembro-me de bons golos mas não me lembro de bom futebol. Nem em 1994 me lembro do Brasil a praticar bom futebol. 

Os dois países que melhores futebolistas produzem, ano após ano, envergonham o universo do futebol com as suas selecções. Já chega. Está na hora de mandar estes criminosos para a prisão. 

Parabéns, Chile. Foi espectacular e especial. A Argentina merece esta dor. 

Por fim... Querem rir-se? Leiam isto: Vanderlei Luxemburgo experimenta LSD pela 1ª vez e dá uma entrevista




sábado, 4 de julho de 2015

Uma ideia errada que tinha...

Sempre pensei que o Benfica de Jesus fazia melhores 2ªs voltas que 1ªs.

Estava enganado. Na coluna da esquerda os pontos conseguidos na 1ª volta e na da direita na 2ª volta. Só em 2013/14 e 2009/10 as 2ªs voltas foram melhores que as primeiras.

No entanto, uma ideia nunca me abandonou enquanto Jesus esteve no Benfica: sempre vi o Benfica a praticar melhor futebol na segunda metade do campeonato.

Será que isto significa que as equipas dele normalmente estão menos preparadas do ponto de vista psicológico para aguentar a pressão? Será que significa que fisicamente as equipas não são bem preparadas para a 2ª metade da época? Será apenas uma estatística bacoca?

Não procuro com isto chegar a nenhuma conclusão para já.

Ultimamente li o livro do Rui Vitória e estive hoje atento ao primeiro treino do Benfica que passou na Benfica TV. Rui Vitória preocupa-se muito com os aspectos mentais do jogo. Do físico, não me recordo de ter lido nada relevante a não ser o perfil dos médios centro, posições para as quais RV pretende jogadores que consigam dotar a equipa de resistência, velocidade e agressividade que, aliadas a uma forte preparação mental, permitam que a equipa controle o miolo nos jogos. Não sei se ele vai continuar a optar por este perfil estando no Benfica. Cá estaremos para ver...

Mas voltando a Jesus e tendo em conta o que ele exige à sua equipa do ponto de vista físico, será possível uma equipa ter um desempenho semelhante ao que o Benfica apresentou nos últimos anos, sem ter infrastruturas como o Benfica Lab capazes de controlar ao milímetro todos os peidos que os jogadores dão? E quais serão as consequências da exigência extrema de Jesus quando o físico e o mental falham? É claro que o Sporting tem meios e infrastruturas muito boas para o desenvolvimento dos seus atletas, mas será que chega?

São muitas perguntas para as quais estou ansioso por respostas. Não tenho nenhuma conclusão. Tenho muitas dúvidas.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Meanwhile in... San Marino!

MEANWHILE IN... SAN MARINO
Uma história fantástica ou a máfia da Arménia em acção?!

Parece que nem as investigações do FBI perturbam algumas actividades estranhas nas competições da UEFA. É só um gajo estar atento para ver autênticas sitcom nas pré-eliminatórias da Champions e da Liga Europa.


Em 2013-14 o Shirak, campeão armeno, deslocou-se a San Marino para oferecer - literalmente - a primeira vitória de sempre a uma equipa de San Marino.

«Ah mas ó bujas, isso aconteceu porque equipas de San Marino nunca jogam contra equipas de Andorra ou de Malta... Caso contrário já tinham ganho mais vezes!»

É o ganhas, belhote... Quando o Tre Fiori de San Marino calhou com o Sant Julià de Andorra (2009/10), empataram os dois jogos e depois perderam nos penaltis: qualificaram-se os de Andorra. A mesma equipa de San Marino já calhou com o La Valeta de Malta e adivinhem? Duas derrotas. Mas o La Fiorita de San Marino não teve sorte diferente quando defrontou o La Valeta e açambarcou mais duas belas derrotas.

Este ano, mais uma vez, o início da época está a ser um espectáculo para quem é sádico o suficiente para ver jogos de equipas de San Marino, Gibraltar, Andorra, etc...

Vamos lá aos resultados que não fogem da normalidade:
Brondby 9-0 Juvenes-Dogana (San Marino)
La Fiorita (San Marino) 0-5 FC Vaduz

Então e o actual campeão de San Marino?

Estava a ver que nunca mais perguntavam pelo enorme Folgore-Falciano! Calhou-lhes em sorteio o Pyunik, campeão armeno e que conta com 8 habituais internacionais armenos mais Cesar Romero, um ponta de lança americano que foram buscar ao Chivas e que marcou 26 golos em 30 jogos na época passada. Tarefa complicada para o Folgore-Falciano ainda por cima tendo em conta que estavam excluídos da convocatória os jogadores Proli, Sartori, Genestreti, Nucci, Righi e Loiodice - certamente todos cepos, mas certamente fazem falta num clube com poucos recursos. Nem vou comentar a pergunta que estão a fazer na vossa cabeça e respondo já, antes que a atirem para o ar - é óbvio que conheço estes jogadores todos como à palma da minha mão!
Mas a aventura do Folgore na Europa é mais épica do que vocês pensam. Imaginem só que têm que fazer uma viagem de San Marino até Yerevan. Vão de autocarro até Milão mas apanham uma fila de trânsito em Bolonha que quase vos faz perder o avião para... Atenas. Em Atenas esperam mais umas quantas horinhas, ainda vão dar um aperto de mão ao Machairidis e ao Varoufakis e finalmente apanham mais um avião para Yerevan.

Ora bem... Chegados a Yerevan e com jogo no dia a seguir, toca de ir dar um pulinho até ao estádio para ver as condições do relvado e preparar a mega táctica Folgoriana para parar o campeão armeno. Sabem quem é que parou? Foi o autocarro do Folgore! À saída do estádio, no regresso ao hotel, mediu mal a altura duma ponte e toca de embater com toda a violência com o topo do autocarro na ponte. Imaginem o cagaço que os jogadores apanharam. É o chamado dia em cheio! Horas no trânsito em Bolonha, um dia inteiro em aeroportos e - cereja no topo do bolo - batem com o autocarro quando já só pensavam nas caminhas do hotel. Os jogadores não vão de modas, agarram nas malinhas e fazem-se à estrada rumo ao hotel. (se quiserem mais pormenores sobre este conto de fadas visitem o facebook oficial do Folgore: https://www.facebook.com/FolgoreFalcianoCalcio E TOCA A DAR LIKE NA PÁGINA DOS HOMENS)



Resultado normal disto tudo? Bem, eu diria uma goleada do género da que o Brondby espetou ontem no Juvenes-Dogana... Enganei-me. Os armenos não jogaram a ponta dum corno e o Folgore-Falciano, mesmo a perder 2-0 e a jogar em inferioridade numérica ainda conseguiu reduzir para 2-1 na sequência de um canto.



Para a 2ª mão somos todos Folgore-Falciano! Força Folgore! Vence por nós!