segunda-feira, 27 de julho de 2015

Hajduk e Benfica no mesmo trilho

Igor Tudor, mítico defesa croata da Juventus assumiu o comando técnico do Hajduk Split (clube onde é um símbolo) em 2012/13, conquistando logo na época inicial uma Taça da Croácia ao Lokomotiva de Zagreb de Tomislav Ivkovic. Tudor aprendeu com Edoardo Reja (treinador do qual Tudor foi assistente no Hajduk) e com Antonio Conte (fez um estágio na Juventus ao mesmo tempo que em 2013 orientava os sub-17 do Hajduk) a metodologia que queria implementar no treino. O 3-1-4-2 de Tudor era visto como cativante por parte dos adeptos e dava resultados. Mas como tudo na vida não pode ser perfeito, este Hajduk de 2013 a 2015 tinha um problema, um problema de filosofia. O dinheiro não abunda em Split e a direcção não deu a Tudor o defesa que ele queria no mercado de inverno. Existia talento na academia, talento com o qual Tudor inclusive tinha trabalhado em 2013, mas Tudor continuava a preferir a experiência e continuava a exigir a contratação de jogadores formados, ao invés de os formar. Tudor até apostava neles de quando em vez, mas a falta de estaleca táctica dos miúdos punha o seu sistema de 3 centrais em risco. A direcção do Hajduk, a desesperar por dinheiro e com os diamantes por lapidar na academia, tentava colocar pressão em Tudor. A pressão não resultou, Tudor saiu e para o seu lugar vem um treinador croata com escola alemã. Damir Buric foi adjunto de Sascha Lewandowski (Leverkusen) e de Robin Dutt (Werder Bremen) e chega com outro tipo de ideias ao Hajduk... Mas também com outro tipo de resultados. O Hajduk iniciou de forma horrível o campeonato, tendo sido goleado no último fim de semana, 4-1, pelo Istra de Igor Pamic. 

Esta história não está muito longe daquela que se vive na Luz. Jorge Jesus sempre falou nas etapas da vida dum atleta e sempre foi contra "queimar etapas", nunca forçando a titularidade de jovens e preferindo esperar pelo que o tempo ou pelo que Luís Filipe Vieira lhe traziam. Tudor pensava da mesma maneira. Os problemas financeiros no Benfica não são tão graves quanto os do Hajduk, mas o investimento feito no Seixal, as promessas eleitorais de Vieira e uma nova geração cheia de talento no futebol português a despontar, fizeram com que Jesus saísse pela porta pequena dum clube onde tinha atingido um sucesso estrondoso enquanto treinador. Curiosamente, mal chega a Alcochete, saca Gelson Martins que parece capaz de revolucionar todo o futebol ofensivo dos leões. O futebol não é linear e se a mira de Jesus provavelmente falhou o alvo Bernardo Silva, parece agora ter acertado completamente no alvo Gelson. Isto para dizer que Jesus ou Tudor podem perfeitamente funcionar num clube com o objectivo "formação" bem patente. Tal como Jesus sacou e lançou na equipa principal André Gomes, Ivan Cavaleiro ou Gonçalo Guedes, Tudor lançou Maloku, Basic e outros tantos. Claro que as realidades são bastante díspares mas o certo é que ambos, Tudor e Jesus, saíram por terem filosofias ou ideias diferentes das dos dirigentes de Benfica e Hajduk, apenas e só por acharem que o sucesso desportivo a curto prazo não pode ser hipotecado pela aposta em jovens às cegas. Tenho a certeza que existirão outros motivos para a saída de Tudor e Jesus, mas este tema fracturante, o tema da aposta na formação e no retorno financeiro que esses jovens trazem ao clube, foi sem dúvida o principal motor para essas mudanças na equipa técnica.  

Voltando ao Hajduk, convido-vos para assistir da primeira fila ao desfile de talentos que podem trazer um futuro bastante risonho ao clube de Split a médio/longo prazo. Jogam na 5ª feira para o playoff da Liga Europa contra o Stromsgodset da Noruega. Prevê-se um grande espectáculo.


Andrija Balic, 17 anos, Médio defensivo. Gosta de organizar o jogo, tem recorte técnico da escola do Modric e Rakitic, gosta de se aproximar da área adversária para experimentar a sua buja. Do que tenho visto parece-me o maior talento de todos. É impressionante como aos 17 anos joga com tanto à vontade e com tanta classe. Craque da cabeça aos pés.

Josip Basic, 19 anos, Ala direita. Parece-me que terá mais futuro como lateral do que como médio ou extremo direito. Forte fisicamente e com boas qualidades técnicas no passe, peca a nível de recepção e no 1 contra 1. Precisa de evoluir muito mas parece-me que o talento está lá

Nikola Vlasic, 17 anos, médio ofensivo. Este, tal como Balic, não engana... Rápido a reagir, frio à frente da baliza, técnica fina, recepção, buja, joga em espaços curtos, enfim, o que é que se pode querer mais? Dá gosto vê-lo jogar.

Elvir Maloku, 19 anos, extremo esquerdo. Foi lançado muito novo no Hajduk por Igor Tudor e tem vindo a perder espaço. Não deixa de ser visto como um dos maiores talentos mas precisa de se motivar para poder comprovar o potencial que tem. Rápido, bom drible, bom remate, falta-lhe acima de tudo intensidade.






5 comentários:

  1. Entendo o aviso que fazes sobre o futuro do Benfica com RV, por comparação ao que se está a passar com o Hajduk e concedo facilmente que isso possa acontecer. Mas para lá da qualidade intrínseca de cada treinador, há que avaliar a capacidade que a direcção terá ou não para dotar o plantel do Benfica de jogadores claramente capazes de serem titulares (não falo de Taarabt :p) e junta-los aos miúdos, porque só um sonhador romântico e purista do FM, poderá achar que apostar na formação é deixar de trazer qualidade externa e fazer dos miúdos da B os grandes reforços de uma época.

    JJ cavou a sua sepultura com Bernardo Silva e pode já ter dado conta disso. Um jogador daquela qualidade não pode ser dispensado como JJ o fez, nem no Benfica nem em lado nenhum! Ainda assim, tivesse JJ renovado, e BS não tivesse sido vendido, duvido que algum dia jogasse no Benfica de JJ.

    Não acho justo que digas que JJ lançou Cavaleiro, pelo contrário. Colocou-o a fazer uns joguitos sem importancia e à primeira oportunidade deu-lhe guia de marcha em detrimento de um Bebe desta vida. Mesmo André Gomes concedo, mas com algum esforço.

    O que não se pode achar é que jogadores como BS nascem todos os anos e aparecem com um pontapé numa pedra. Com BS perdemos uma oportunidade única, para surgir outra de valia parecida, teremos de esperar um pouco mais. Talvez esperar por João Carvalho.

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    1. Não é um aviso sobre o RV. É apenas uma analogia em que tenho vindo a pensar nos últimos dias. Tenho acompanhado com atenção os jogos da qualificação para a Champions e Liga Europa e estranhei não ver o Tudor no banco do Hajduk. Depois fui pesquisar com a ajuda do maravilhoso google translate e descobri uma história parecida com a que vivemos no Benfica.

      Quando eu disse que o Jesus lançou o Cavaleiro ou o Guedes não quero com isso dizer que lhes tenha dado oportunidade para terem estatuto de titulares, simplesmente deu-lhes minutos, falou sobre eles, treinou com eles, coisa que muitos com talento nem oportunidade para isso tiveram (percebemos algumas dessas coisas depois do JJ sair). O meu objectivo com o post não era criticar RV, criticar LFV, criticar JJ, nada disso. Há vários caminhos diferentes pelos quais um clube pode seguir e se houver competência podemos chegar ao destino indo por qualquer um. Resta saber se há competência...

      Sobre a competência falarei mais tarde, estou a observar tudo e a tirar os meus apontamentos. Gosto de muitas coisas no Benfica de Rui Vitória mas também desconfio de outras tantas coisas. Ao fim de 3 jogos amigáveis e sem o mercado de transferências estar encerrado não se podem tirar conclusões. As pessoas pensam que contratar um jogador é como ir ao supermercado mas não é, é tudo um tabuleiro de xadrez por vezes muito complicado de resolver. Por isso.. Esperar para ver

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    2. Em relação às transferencias, acho que o Benfica, tal como fez a época passada, vai esperar pelo limite do mercado. Caso contrário, Vieira não poderá dizer que RV terá as mesmas armas que JJ teve. Não sei o que pensas, mas quanto a mim, tudo que passe por não tentar um LE, um Central e um avançado, será uma operação de mercado falhada.

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    3. Espero que não, porra... Já bastou o ano passado. Acho que o Benfica precisa de um lateral esquerdo e de um avançado. Central acho que temos bom backup no Lisandro, Lindelof e Fejsa. Ah... Escusado será dizer que se o Gaitan sair também precisamos de um extremo

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    4. Mas olha que é o que vai acontecer. Antes de a equipa regressar do EUA não serão definidos alvos, e entre abordar e concretizar, não vejo que seja muito antes de 31 de Agosto...

      O Gaitan, a ficar, será o melhor reforço que poderíamos ter.

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