domingo, 27 de julho de 2014

Pré-Época do Benfica

Como vou de férias este é provavelmente o último post antes das mesmas. Vou falhar 3 jogos de preparação do Benfica e portanto deixo-vos aqui uma pequena avaliação ao que vi na pré-época até agora.  

Guarda-Redes:

Artur - Tem um problema de confiança. Quando está motivado é um guarda-redes de bom nível que pode ser titular. O Benfica tem que contar com ele.

Romero - Tem um problema de concentração. Às vezes tem paragens cerebrais que custam pontos às equipas. Caso se confirme a sua contratação não acho que Jesus o deva assumir como titular indiscutível como fez com Roberto. 

Paulo Lopes - Prata da casa. Faz parte da mobília e não imagino o Benfica deste ano sem o Paulo Lopes no plantel.

Laterais: 

Maxi Pereira - O raio da selecção deixa este homem todo moído e vamos ter que o recuperar fisicamente para o início da temporada. É titular.

Luís Felipe - Tem que ser emprestado a um clube da Primeira Liga. Gostava de o ver no Guimarães do Rui Vitória, um clube onde Luís Felipe não teria grande concorrência e provavelmente seria titular sem grandes problemas. Para o Benfica, pelo que vi, não serve por agora. Ainda tenho esperança que os adeptos do Palmeiras estejam certos sobre este rapaz...

Cancelo - Está a ficar mais homenzinho. Com mais tempo de jogo e de treino sob a batuta de Jesus acho que algumas falhas defensivas vão cada vez aparecer menos. Gostava de o ver no plantel.

Eliseu - Está visto que vem para ser titular... Espero que me engane. Vai ficar no plantel mas acho que é uma má contratação. A nível físico está semanas atrasado em relação aos colegas.

Benito - O nosso lateral mais forte fisicamente. Parece cumprir os mínimos para ser parte integrante do plantel e para lutar pela titularidade com o Eliseu. Tenho fé neste rapaz.

Centrais:

Luisão - Capitão. Um autêntico treinador dentro de campo. Saudades. Volta rápido.

Lisandro - Uma grande esperança. A época passada não foi tão boa quanto muita gente pensa mas com o Jesus este rapaz tem potencial para lutar pela titularidade e fazer boa dupla com o Luisão.

César - Tem que ser emprestado a um clube da Primeira Liga. Mais uma vez a opção Rui Vitória agrada-me bastante. Acho que o César até podia rodar em Itália mas tenho dúvidas que no estado actual consiga assumir a titularidade em clubes da Serie A. A defender parece um Edcarlos mas, ao contrário deste, tem potencial. Central com técnica, rápido e que trata bem a bola... Só precisa de amadurecer. Como precisa de amadurecer, precisa de jogar, e o Jesus não pode arriscar dar muitos minutos a um central que está neste nível.

Sidnei - Há quem diga que o rapaz não tem cabeça nenhuma... Eu acho que ele com a idade está a ficar diferente. Motivem-no e vão ver que temos aqui o parceiro ideal para o Luisão. Por mim começa a época como titular.

Jardel - O pronto socorro. Não faz ondas e é um bom colega. Cumpriu sempre bem no ano passado quando substituiu o Garay mas temo que seja curto para a titularidade.

 Médios Centro:

Talisca - Habituado a outros terrenos no Bahia, no Benfica vai ser provavelmente o substituto do Enzo. Confesso que gostava de ver um triângulo de meio-campo com ele e com o Enzo nos vértices mais ofensivos. Craque. Não engana. 20 aninhos. 

Rúben Amorim - Raramente joga mal. É um jogador feito, útil, da casa e no qual podemos confiar.

Enzo - Por favor não saias... 

João Teixeira - Boa técnica, velocidade e com os princípios de jogo todos lá. Cometeu erros graves mas pelo menos não foi em jogos a doer. Vai ser útil e será certamente opção este ano. Que aproveite as taças, que aproveite as janelas de oportunidade que se abrirem. Tem 20 anos, já não é menino nenhum. Que fique no plantel e que alterne entre a A e a B. 

Fariña - Pois, não faço ideia, são contratações daquelas que não percebo. Quando parecia que finalmente ia ter uma oportunidade lesiona-se...

André Almeida - O André é um excelente defesa que pode jogar em qualquer posição deste sector. Este é provavelmente o ano do sim ou sopas e se formos buscar um médio defensivo provavelmente o rapaz vai continuar a ser suplente sem se afirmar em nenhum lugar. Por mim começava o ano a titular na esquerda da defesa.

Fejsa - É uma pena estar sempre no estaleiro. Como não há Fejsa temos que ir ao mercado, não há volta a dar...

Médios Ofensivos:

Gaitán - Por favor não saias...

Salvio - Ainda não está em forma mas não deve demorar muito até ficar no ponto. Titular de luxo.

Ola John - Veio cheio de pica para mostrar serviço. Não evoluiu nada enquanto jogador nos últimos anos. Tem velocidade, é gajo para moer as defesas adversárias e para ser muito perigoso no ataque. O lateral que o tiver no corredor sofre. Os avançados também sofrem com as decisões que ele toma. Por mim é um jogador para alternar entre a equipa B e a equipa A.

Sulejmani - A principal alternativa a Salvio e Gaitán. Pena a quantidade de lesões. Suplente de luxo.

Ivan Cavaleiro - Emprestar a clube da 1ª Liga. Gostava de o ver no Estoril do Couceiro mas qualquer clube da 1ª divisão por mim está bem. Precisa de jogar.

Bernardo Silva - Por mim fica no plantel principal nas mesmas condições do João Teixeira. Sempre que joga na equipa principal parece ansioso mas todos sabemos que tem pézinhos e que é craque. 

Candeias - São contratações que não percebo e que roubam minutos aos nossos putos... Emprestar.

Avançados

Cardozo - Péssima forma. Espero sinceramente que melhore rápido...

Lima - O Lima ainda está longe do que pode render mas é titular indiscutível neste momento. Vou acreditar que os treinos de pré-época ainda lhe pesam nas pernas

Derley - Foi o avançado de que mais gostei na pré-época... Não deslumbrou mas foi o que mais sinais positivos mostrou. Tem tudo para ser um jogador muito útil este ano.

Jara - Tinha esperanças depositadas nele mas desiludiu-me. Não sei se é ansiedade ou o raio que o parta mas assim fica complicado justificar presença no plantel.

Nelson Oliveira - Acho que foi vítima do investimento que se fez no Jara. Tenho pena de não ter visto mais dele na Pré-Época. Que fique na equipa B, acho que mais empréstimos não vão adiantar. Vamos rezar para que aproveite as poucas oportunidades que terá...

Pizzi - Lesão lixada numa altura em que ele precisava de mostrar serviço. Pelo que conheço dele é um rapaz interessante para ter no banco. Devíamos mantê-lo no plantel.

Bebé - Apareceu nervoso na estreia. Se o Jesus continuar a apostar nele como extremo vai ser muito complicado para ele afirmar-se.

Victor Andrade - Jogador para a equipa B para seguir atentamente.

CONCLUSÃO

Artur, Romero (?), P.Lopes / Maxi, Cancelo / Eliseu, Benito / Luisão, Sidnei, Lisandro Lopez, Jardel / A. Almeida, Ruben Amorim, Fejsa, Enzo Perez, Talisca, João Teixeira / Gaitán, Salvio, Sulejmani, Ola John, Bernardo Silva / Bebé, Pizzi / Lima, Derley, Cardozo, Nelson Oliveira

Com João Teixeira, Cancelo, Ola John, Bernardo Silva e Nelson Oliveira alternando entre os A's e os B's, contratanto um nº6 para titular e sem mais saídas, ficamos com um plantel bom para atacar o bi-campeonato. Caso Enzo ou Gaitán saiam é urgente contratar rápido e bem jogadores para entrarem directamente no 11 titular. A política de contratações foi mais uma vez um desastre, com gastos acima dos 20 milhões de euros em jogadores que não serão titulares "indiscutíveis". Houve boas contatações, claro que houve, mas eu preferia que fossem em menor quantidade e com melhor critério.

Quanto ao sistema táctico e tendo em conta o plantel que temos, acho que é óbvio que continuaremos a jogar com 2 avançados na frente.

Como eu gostaria de jogar? Assim:



Como acho que o JJ vai jogar? Assim:


Boas férias, pessoal. Até breve!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Continuas chamando-me assim... BEBÉ!

Antes de mais quero esclarecer uma coisa. Critiquei imenso um jogador chamado Quaresma neste blog. Sempre argumentei que ele destruía todo o jogo da equipa do Porto e que era mais prejudicial do que benéfico à equipa. Bebé ainda não tem, aos 24 anos de idade, a capacidade para tomar a decisão mais correcta no jogo, ainda não tem o espírito de equipa necessário para entrar de caras no 11 inicial do Benfica ou duma qualquer grande equipa e precisa de evoluir. Qualquer jogador do mundo, a não ser que seja um egoísta tremendo sem inteligência nenhuma, tem a capacidade para, tendo Jorge Jesus no banco, evoluir neste campo. Os exemplos são inúmeros e Gaitán é o exemplo mais recente que temos. Não estou a dizer que Bebé vai ser ou é um Quaresma. Não estou a dizer que Bebé é ou vai ser um Gaitán. Nem acho que Bebé tenha grande futuro como um extremo puro como Quaresma ou como um médio ofensivo como Gaitán. Bebé é avançado. Ponto final. A conclusão a que quero chegar neste parágrafo é dizer-vos que quase todos os jogadores são capazes de desenvolver esta vertente do jogo caso sejam humildes e se mostrem disponíveis para tal. 



Num século em que o futebol táctico ganha quilómetros ao futebol físico ou de recorte técnico natural, será que ainda existe espaço para jogadores como Bebé, Hulk ou, recuando uns aninhos atrás, Mantorras? Bebé tem uma buja brutal, um poder de fogo parecido com o de Hulk ou Mantorras. Bebé tem uma capacidade física tremenda e alia ao seu 1m90 uma técnica de quem não precisou de aprender a jogar futebol, uma técnica de quem já nasceu assim. O Bebé é um jogador que num dos seus momentos de magia consegue desbloquear um 0-0. 

Mas como será que Bebé vai ser tendo uma marcação mais forte em cima dele, menos espaço e mais pressão da massa adepta? Não sabemos. O que sabemos é que Bebé normalmente não é o tipo de jogador que se esconde do jogo. O Paços de Ferreira, ao contrário do que muita gente pensa, não foi uma equipa de contra-ataque na época passada e Bebé não é um jogador de contra-ataque como muita gente diz que é. Aliás, por não ser uma equipa tipicamente de ferrolho é que o Paços foi uma das defesas mais batidas da prova. Com Costinha jogavam em 4-3-3 e Bebé jogava colado numa ala, partindo em diagonais para o centro para tentar fazer uso do seu poderoso remate. Com Calisto jogou mais vezes em 4-1-3-2 com Del Valle ao lado numa dupla que salvou a equipa da descida. A atitude da equipa ao longo da época raramente foi defensiva e porquê? Por necessidade, por muitas vezes ter que correr atrás do resultado e por opção também que até se pode justificar pelo peso do 3º lugar da época 2012/13. Os golos, esses, foram de todas as formas e feitios. Houve golos à ponta de lança de cabeça e também "de encostar". Houve bujas magníficas. Houve fintas e magia. Quem acompanhou o campeonato MESMO, quem viu os jogos e não se limitou a ler as crónicas da imprensa desportiva ou os jogos de Bebé contra os 3 grandes viu o que Bebé pode valer. E Bebé pode valer mesmo muito. 

Numa altura em que está na moda bater punhetas à pala dos jogadores que decidem sempre bem, à pala dos avançados que sabem fazer todos os movimentos para levar o central a passear à esplanada e abrir espaço para o clube jantar à luz das velas, numa altura em que quem vê futebol está sempre com o bloco de notas a apontar os movimentos, o bem, o mal, a atitude, a decisão - eu incluído, merda de notepad sempre aberto e a pensar no blog e nas conversas de café - também há momentos em que temos que fechar isto tudo e ver rapazes como o Bebé, que com um toque de calcanhar mandam a bola por cima dum pobre coitado e depois mandam uma buja para dentro da baliza do Cássio como se aquilo fosse fácil como descascar uma banana. 

Então mas e o Bebé do Rio Ave, não conta? E o Bebé do Man Utd que flopou, não conta? Conta. Há sempre o risco do rapaz flopar... Mas com o Jesus esse risco é menor, ou não? Tudo está nas mãos de Bebé e nas mãos do staff do Benfica. Escusado será relembrar a quantidade de jogadores já potenciados ao extremo por Jorge Jesus. Confio imenso que Bebé será mesmo muito útil ao Benfica e que vai ser figura de proa na selecção nacional se tiver sorte na carreira. Só há uma coisa de que tenho pena: o Benfica só fica com 50% duma futura transferência. Vamos lixar o Manchester United e ficar com o Bebé até ele ser velhinho? Era bom sinal. 

Para cima deles, Bebé! Bloco de notas fechado quando estiveres a jogar. Queremos magia e essa guarda-se nas imagens e na memória. Bloco de notas só daqui a 20 anos quando estivermos a recordar a tua glória. 


quinta-feira, 24 de julho de 2014

O Capuchinho Vermelho



O Benfica caminha pela floresta da UEFA rumo aos títulos. Há dois caminhos: um mais longo e mais seguro, outro mais curto mas obscuro. Quando estamos finalmente perto de toda a glória eis que aparece o lobo no lugar da avó. Ele diz-nos que as orelhas são grandes para nos ouvir melhor, que os olhos são grandes para nos ver melhor mas o que importa? O que importa é a boca que nos vai comer.

Se o Benfica tivesse optado pelo caminho mais longo não teria centenas de jogadores com contrato. As lacunas do plantel seriam colmatadas com os jogadores da formação. O CFC dá todas as condições ao clube para desenvolver os seus atletas. Se alguém achar que os jogadores que de lá saem não cumprem os requisitos então é porque também acha que no CFC não se trabalha bem. Se podemos argumentar que neste momento o CFC é a melhor academia do país a par com Alcochete, não podemos desprezar que tanto no CFC quanto em Alcochete se poderia trabalhar ainda melhor. Investir em mais e melhores formadores, continuar a investir no desenvolvimento duma ideia de jogo desde a base (coisa que já acontece) e alargar a rede de recrutamento a outros países são factores para que Benfica e Sporting possam no presente colher frutos e para que no futuro possam ter ainda melhores colheitas. Não quero com isto dizer que o presente seja mau, quero apenas dizer que o investimento não pode abrandar se quisermos optar pelo caminho mais longo e mais seguro. Optando pelo caminho mais longo, o passivo dos clubes não estaria sempre a aumentar, pelo contrário, diminuiria. Os entendidos em finanças que nos dizem que as grandes empresas têm sempre que ter grandes passivos eu não entendo. Os meus pais sempre me ensinaram a viver com o que tenho e nunca com o que não tenho. No entanto, como não entendo, não debato. Apenas acho estranho e tenho todo o direito de achar. Todos os anos leio o R&C do Benfica e todos os anos percebo menos o que estou a ler. Se calhar o defeito é meu.

Se o Benfica tivesse optado pelo caminho mais curto tinha-se feito amigo de uma data de empresários tubarões cheios de dinheiro e de uma data de fundos. O Benfica iria receber jogadores de qualidade assinalável mas pouco ou nada poderia interferir na decisão do futuro do jogador. Benfica Stars Fund (ligado ao GES), Doyen Sports, Peter Lim ou Jorge Mendes passaram a ser nomes aos quais o Benfiquista se habituou. Os jogadores, esses, quando chegam já catalogam o Benfica como o trampolim necessário para o sucesso. A juntar a isto há ainda uma questão muito importante e que a opinião pública desportiva tem vindo a ignorar: o fair play financeiro. Pensem comigo. Porque raio é que os empresários têm entrado cada vez mais em cena? Porquê a engenharia financeira no caso Garay? Porquê o empréstimo de Rodrigo? Fair Play financeiro. Os clubes têm que usar todos os mecanismos que têm à sua disposição para iludir a UEFA e poderem justificar compras de vários milhões sem vendas. Se o empresário detiver o passe do atleta e o emprestar ao tubarão, esse tubarão vai poder comer o peixe sem se preocupar com a conta. Quanto mais corrupto for o líder de um clube mais apetecível será colocar jogadores nesse clube ou ir lá buscar jogadores. Se o líder for corrupto o negócio faz-se por valores baixos à vista de todos e o verdadeiro negócio acontece nos bastidores. Isto sou eu a inventar sem fontes. A única fonte que tenho é um garrafão de 5 litros na cozinha e é por isso que tenho um blog e não tenho um jornal nem sou jornalista. Percebem a diferença, certo?  

E se o Benfica não tiver escolhido nenhum caminho? E se o Benfica estiver perdido no meio das árvores? Pois, amigos, é bem possível. O Benfica parece misturar alhos com bogalhos e continua a contratar jogadores de difícil justificação. Não me interpretem mal. Eu ainda tenho esperanças no Luís Felipe e se um dia bater com a cabeça e me esquecer das declarações do Eliseu na despedida do Málaga, até posso vir a achar estas contratações boas. O que eu não compreendo é como é que se perde um talento como o do Marcos Lopes para o Man City. Não compreendo como é que jogadores que dão provas nas selecções jovens portuguesas e na UEFAYouth League não sejam mais cedo integrados no plantel principal. 

Este não é mais um post a defender a formação e a defender "oportunidades". Se Jorge Jesus acha que estes jogadores ainda não têm arcaboiço para jogar na equipa principal então acredito piamente que ele tenha razão. Já não posso é defender gastos de 22 milhões de euros em tiros no escuro. Ano após ano o Benfica investe milhões em jogadores que podem ou não ser bons mas será que na nossa formação não acontecerá o mesmo? O Luís Felipe tem maior potencial que o Cancelo? O Jara terá melhor futuro do que o Gonçalo Guedes? O Candeias terá melhor futuro que o Bernardo Silva? Se responderam às 3 perguntas "não" é porque estamos a chegar a uma conclusão. Na nossa formação os atletas um dia também poderão ser bons ou não. Perder um jogador do arcaboiço do Marcos Lopes é uma coisa que dói como uma violenta alfinetada no pâncreas. 

Sim, estou a escrever isto porque o Benfica não ganhou ao Sporting nem ao Marselha na pré-época. São derrotas que afectam um gajo que estava com saudades de Benfica. Sim, estou a escrever isto porque o Calado me irritou com as suas punhetas à equipa durante os 90 minutos das partidas.  Sim, estou a escrever isto porque depois de ouvir na rádio que o Eliseu estava confirmado no Benfica não tenho vontade de ouvir mais notícias de desporto até ao dia 10 de Agosto. Sim, no ano passado foi a mesma coisa e depois fomos campeões. É tudo verdade mas o que leram também é verdade.

domingo, 20 de julho de 2014

Que dizem ELES das novas contratações?!

Confesso uma coisa: odeio o defeso. Não gosto, ponto final. É uma altura estúpida da época onde quem verdadeiramente se diverte são os treinadores, directores desportivos e presidentes e quem se aborrece são os adeptos que não sabem nada do que se está a passar na realidade. Às vezes os dirigentes também se queimam, quando um tubarão bate uma cláusula, mas geralmente são eles quem se diverte mais com as capas patéticas dos jornais e com as reacções histéricas dos adeptos a vendas e contratações. Tenho inveja deles. Quero contratar um Talisca um dia destes...

Entretanto começaram a sair as tão esperadas análises e opiniões aos novos jogadores dos plantéis. Uma visita aos principais fóruns e blogs de desporto em Portugal e não faltarão opiniões por todo o lado, feitas após se visualizarem alguns minutos do jogador em questão. Nós no AI VALE BUJAS? vamos, como é óbvio, mais longe. Demonstrámos estar na vanguarda da blogosfera nacional e trazemos à vossa vista a análise, a opinião, a palavra dos adeptos que viram durantes meses, anos e décadas (! ... talvez não) os jogadores dos quais vamos observando os primeiros minutos. Os portugueses não incluí porque se lêem o Bujas têm a obrigação de os conhecer.

BENFICA

ANDERSON TALISCA:


LUÍS FELIPE:










VICTOR ANDRADE:










CÉSAR:







   



LORIS BENITO:









SPORTING


ORIOL ROSELL:













 TANAKA:








SLAVCHEV:









 RYAN GAULD:









PORTO


OLIVER TORRES:









ADRIAN LOPEZ:










CASEMIRO:











CRISTIAN TELLO:








BRUNO MARTINS INDI:

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Mundial 2014 Final e Apuramento do 3º

Alemanha 1-0 (a.p.) Argentina



Pois é, meus amigos, não consegui escrever o resumo da final no timing desejado mas mais vale tarde que nunca.


Lembrei-me destas palavras várias vezes durante a final. O que é difícil no futebol é saber defender com poucos, defender com muitos isso qualquer totó sabe... Até o Sabella, vejam lá.



A Argentina fez um Mundial acima das suas possibilidades enquanto equipa. Apanharam um grupo fácil. Seguiu-se um joguinho sortudo contra a Suiça, uma selecção belga completamente rota, mais borra contra a Holanda e aí estavam eles, todos contentes, na final. Não confundam as possibilidades reais que a Argentina tinha com o potencial enquanto equipa deste grupo. A Argentina tem sem dúvida um dos grupos mais fortes do Mundo e com imenso potencial. Se retirassem deste grupo jogadores como Basanta ou Campagnaro e juntassem Ansaldi (3 centrais, 2 laterais + Rojo seria mais que suficiente) , se retirassem Maxi Rodriguez e juntassem jogadores como Gaitán, Sosa, Lamela, Lanzini, Salvio, Iturbe, Centurion ou Juan Manuel Martinez, seria uma selecção que iria para além do vira o disco e toca o mesmo. E quem tocou foi Messi, claro está, como sempre fundamental no que de bom a equipa foi fazendo na frente. Isto apesar de não merecer, obviamente, a bola de ouro. Foi fundamental mas nem por isso foi o melhor jogador desta selecção. Mascherano apareceu numa forma completamente animalesca e foi o verdadeiro patrão que comandou os destinos deste país rumo à final.

Mas será que a Argentina poderia ter feito mais do que o que fez contra a Alemanha? Na minha opinião não, não podia. Podemos defender que Gaitán tinha lugar de caras nesta selecção e que se calhar tinha dado jeito. Podemos dizer que montar uma equipa assim é fácil e que Sabella poderia ter sido mais criativo a trabalhar o processo ofensivo. Podemos ter aquela substituição preferida ou outra ideia de jogo mas lembrem-se sempre que a Alemanha é um somatório de anos e anos de trabalho, uma equipa muito superior à Argentina. Há uma selecção jovem que provou poder chegar perto do nível da alemã, falo da selecção francesa, e é por isso que defendi que aqueles quartos de final seriam quase uma final antecipada. Neste blog nunca nos entusiasmámos com o futebol brasileiro, argentino ou até holandês. Ao montar uma Argentina com praticamente 8 ou 9 elementos atrás da linha da bola, Sabella não surpreendeu ninguém, muito menos Joachim Löw. Ferrolho e fé na forma do Mascherano, estava dado o mote. E com Mascherano bem, a Argentina aguentou-se e esteve várias vezes perto de chegar ao golo. O problema era quando tinha a bola em seu poder. Começou o jogo com Lavezzi encostado na direita e com Enzo na esquerda. A equipa não queria estar comprida nem larga no terreno com medo do que a Alemanha pudesse fazer com o espaço e o jogo previsível, mastigado e lento como um caracol era uma característica de quem não sabia o que fazer com a bola. Quando Sabella puxou Enzo para o meio, com Aguero ao lado de Higuain e com Messi atrás, a Argentina melhorou. Melhorou para cedo estragar já que com a saída de Higuain e entrada de Palacio o ataque morreu. Aguero e Palacio fizeram um jogo absolutamente horrendo, muitos furos abaixo de Higuain e Lavezzi e o golpe de misericórdia de Sabella foi dado com a saída de Enzo e entrada de Gago. Morre a Argentina e revitaliza-se a Alemanha para o prolongamento.

Há na Alemanha qualquer coisa réptil. Um réptil sádico. Uma iguana capaz de se adaptar ao que o jogo tem para dar. Uma iguana capaz de se adaptar ao clima do Brasil. Houve momentos em que a iguana não teve o que comer, mas soube esperar pela presa. Esta selecção é experiente e provou-o nesta competição. Passou mal contra a Argélia e neste jogo, contra a Argentina, mas soube esperar pela fraqueza do adversário para esticar a língua e comer a mosca. Contra a Argélia esperou que o adversário rebentasse fisicamente. Contra a Argentina esperou que esta se suicidasse tacticamente. Não desesperou, os jogadores mantiveram cabeça fria e a sorte ajudou nas poucas oportunidades que os argentinos tiveram. 

Sentada no seu habitual 4-3-3, é relativamente fácil explicar a ausência de chances de golos que a Alemanha criou nesta partida. Primeiro, a defesa Argentina estava mesmo muito recuada no terreno. Segundo, a ausência de Khedira (um dos jogadores em melhor forma da selecção), a entrada de Kramer e posterior lesão, que obrigou Ozil a formar trio com Schweinsteiger e Kroos - Ozil tinha vindo a ser um verdadeiro cérebro na organização ofensiva da equipa e o recuo no terreno prejudicou a equipa. Com Schurrle a equipa pensou menos o jogo e focou mais a área e, apesar do bom jogo realizado pelo rapaz, a selecção perdeu um pouco enquanto equipa. A principal vitória de Löw foi a colocação de Götze em campo e consequente saída do apagado Klose. Uma frente de ataque mais móvel para aproveitar o desgaste físico argentino foi como barrar manteiga no pão quentinho. A vitória surgiu com um golão do substituto, prémio mais que merecido e que premeia a melhor selecção da competição. 

Uma última palavra para Messi. Cristiano Ronaldo é muitas vezes criticado por ter um ego enorme, enquanto Messi é visto como o bonzinho humilde que não faz mal a uma mosca. 120 minutos de jogo. Livre para a Argentina à entrada da área. Messi com a bola e toda a equipa dentro da área para finalizar. Bola na bancada. Irónico? 

Uma última, mesmo última, palavra para Neuer. Guardiola transformou Neuer num Valdés evoluído. Que maravilha de líbero. Que maravilha de guarda-redes. Será que o futuro desta posição mudou depois deste Mundial ou será que já tinha mudado mas muitos de nós continuávamos com os olhos fechados? Que importância terão no futuro os guarda-redes que sabem tratar a bola?

Brasil 0-3 Holanda



Um bando de putos que deu uma lição táctica no Brasil de Scolari. Se no jogo contra a Argentina Vlaar tinha estado imponente, neste jogo foi De Vrij quem se impôs (diz-se que Van Gaal quere-o no Man Utd). A receita holandesa? Igual. E que fez Scolari? Scolari resolveu castigar Marcelo, Fernandinho, Hulk, Bernard e Fred. O que adiantou? Nada. O mal estava feito. Foi na mesma Óscar contra o Mundo. 

Um, dois, três toques e a Holanda conseguia entrar no último terço em superioridade numérica para encarar uma defesa brasileira tremeliques, todos borrados com o fantasma do 7-1 e com David Luiz em modo sitcom total. Os 50 milhões que o levaram para Paris começam a pesar no Sideshow Bob. Os franceses ficam com uma mancha castanha nas cuecas sempre que imaginam esta dupla de centrais para o ano a comandar os destinos da equipa. Ok, estou a exagerar, como é óbvio, mas não deixa de ter alguma piada! 

Se a Holanda tivesse pernas, depois do 2-0 poderiam ter vindo mais golos, mas os dois intensos prolongamentos jogados na última semana pesaram e de que maneira na laranja mecânica. Scolari aumentou a pressão mas o caudal ofensivo desaguava na falta de talento de Jô. Quantos benfiquistas não exclamaram durante este Mundial que Lima era aqui titular de caras? Safou-se o Brasil de uma maior humilhação pela falta de pernas holandesa. É tempo de pensar no futuro.

E que futuro? Bem, para a selecção brasileira o futuro só pode ser risonho. Se com uma das piores selecções da sua história (por culpa de Scolari) conseguem um 4º lugar, então, com a quantidade de jogadores bons que formam, só podem sonhar com um bom futuro. David Luiz e Thiago Silva vão ser colegas no PSG e isso é um enorme boost para unir uma defesa que sai traumatizada deste Mundial. Lucas, se for bem trabalhado (é pá vem para o Benfica, Lucas!), vai dar um enorme parceiro no crime para Neymar e Óscar.

E a Holanda? Bem, para a Holanda eu já não auguro nada de muito bom. Acho que a Holanda vai ser ultrapassada por várias selecções europeias como a Inglaterra, Portugal, Sérvia e Croácia. Pode ser que me engane mas, apesar da juventude destes rapazes, sem Robben, Sneijder e Van Persie não se vê ninguém que possa fazer a diferença. Pode ser que saquem uns quantos coelhos da cartola mas quando comparados com o potencial das selecções que mencionei ficam claramente atrás. Veremos.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Mundial 2014 Meias-Finais

Alemanha 7-1 Brasil



Foi um bom tiebreak. Equilibrado. 
O Brasil do Felipão percebeu da pior forma que não basta a NªSrª do Caravaggio e a Alemanha de Löw tem agora vários problemas para gerir. Primeiro problema: eles estão no Brasil, país que acabaram de violar sem dó nem piedade. Imaginem o Hitler em Birkenau mas sem as SS - é mais ou menos a situação em que a selecção de Joachim Löw se encontra agora. Segundo problema: como é que sabes se te cuspiram para a comida ou se passaram as tuas batatas fritas pelo rego? Terceiro problema, este mais a sério: como é que uma equipa reage a uma vitória destas contra o país anfitrião? É de certeza mais complicado para Löw gerir um 7-1 do que um 1-0. Podem ficar fanfarrões, podem acusar a pressão por passarem a principais favoritos, podem acusar diarreias depois duns feijões minados a acompanhar uma picanha de jacaré... Quarto problema: o romance. A Miss Bum-Bum vai ser muito mais agressiva na hora de cobrar. A Miss Bum-Bum vai querer saber o número de telemóvel da Helga, a mulher que ficou em casa com os filhos, para lhe contar algumas coisas de que o marido gosta. Enfim, eu se fosse aos alemães já nem ia à final.
Tacticamente o que é que há para dizer sobre este encontro? Todos os caminhos vão dar a Marcelo? Finalmente uma equipa com os mesmos problemas do meu Benfica! Já não é só no Benfica que a culpa é sempre do lateral esquerdo. Vejamos... No lance do 1º golo a culpa é dos bloqueios, não é Vitó? É o David Luiz quem falha na marcação H-H mas a culpa? A culpa é do Marcelo que está de cócoras na linha de golo. Ai não faz sentido, engraçadinho, ai o bujas não faz sentido? E 7-1, faz sentido? No 2º golo o Marcelo quase parece um defesa que ganha milhões ao acompanhar Muller, em paralelo, criando uma linha mais que perfeita para todo o ataque alemão ficar em jogo e para Klose poder passar a ser o melhor marcador de sempre em fases finais de Mundiais. Espectáculo, Marcelo! No 3º golo a bola entra mais uma vez no lado direito alemão, com Marcelo, bem!, a ver centrar e com o resto da canarinha a pensar nos fantásticos novos menus do MacDonalds. Melhor restaurante do Mundo. Pensem assim. Vocês se comessem todos os dias pizza ou sushi fartavam-se passados 2 dias. No MacDonald's se comerem todos os dias um Big Mac nunca se fartam. É por isso que o MacDonald's é o melhor restaurante do Mundo e enquanto fazia este raciocínio o Fernandinho perdia a bola e pumba, golo da Alemanha. Entretanto, nas bancadas, mulheres, crianças e homenzarrões choravam porque lhes tinha saído um brinde repetido no Happy Meal. Há uma mulher de óculos com barrete na cabeça que quase me deu pena. Quase! A seguir o David Luiz pensou que não viria mal ao Mundo se ele tentasse o tackle a Khedira. Dante contra Ozil, Khedira e Klose e de facto não veio mal nenhum ao Mundo porque Dante já está mais que habituado ao inferno e a Divina Comédia tinha que continuar. O 6º golo, já na 2ª parte, foi mais um que partiu do lado direito do ataque alemão com mais uma excelente intervenção de Marcelo, a provar que está a evoluir enquanto homem estátua e que pode em breve assumir posição na Rua Augusta. O resto da selecção continuava a pensar nos menus do MacDonalds e a rezar para que não viesse brinde repetido no Happy Meal. O 7º golo já é a gozar e acabou com o jogo. A partir dali o Brasil dizia adeus à final porque já era muito complicado em 11 minutos virar, ainda para mais sem Hulk ou Fred, avançados da canarinha que marcaram, ora deixa lá ver... Um segundo, estou a conferir aqui uma estatísticas... Que marcaram 1 golo neste Mundial. Talvez não faça muito sentido este argumento... E o 7-1, faz sentido? Então calem-se. Surge então o tento de honra brasileiro, tento que só serviu para me estragar a Fantasy League do Mundial. 
Grande meia final... Tenho pena é do Bruno Cortês e do Rafael Copetti mas pelo menos o Friesenbichler ficou contente (a Áustria faz fronteira, vão-se foder). O Luisão e o Django Lima devem estar a rir-se que nem uns perdidos. Já vos disse que o Lima era titular nesta selecção? Yep. Fácil.
Vejam este 11 bem melhor do que o actual 11 Brasileiro:
Cássio / Baiano, Marcelo, Maurício, Jefferson / Ney Santos, Luan / João Pedro Galvão, Cleyton, Crivelaro / Deyverson

Argentina 0-0 (4-2 a.g.p.) Holanda



Horrível. Um conjunto de individualidades consegue, por entre os pingos da chuva, qualificar-se para uma final do campeonato do Mundo. Messi parece ser o empregado da loja de porcelanas que vai repondo tudo no sítio à medida que o elefante Sabella passa pelos corredores. Mas neste jogo não houve Messi, neste os meninos de serviço foram Enzo e Mascherano. As equipas tiveram demasiado respeito uma pela outra, demasiado medo de perder, demasiado medo de falhar e o jogo entrou numa toada igual à dos regressos da praia. Imaginem um dia na Caparica e um escaldão, imaginem 2 horas de trânsito de regresso a Lisboa com os putos a chorar no banco de trás e com 35º à sombra - foi assim este jogo.
Se a Argentina teve Enzo e Mascherano, a Holanda teve Vlaar e Wijnaldum. Vlaar foi um autêntico colosso a varrer as ofensivas argentinas. Todavia, enquanto equipa, a Holanda deixou muito a desejar contra uma Argentina que à partida não seria difícil de rebentar. Sabella não deu ordens a Rojo para avançar muito no terreno. Robben e Kuyt atacavam por aquele lado e Kuyt aparecia várias vezes bem aberto no flanco para iniciar a manobra ofensiva. No entanto, as ordens de Van Gaal pareciam ir no sentido de entrar no último terço com bola controlada e insistir nas diagonais de Robben e na faixa central. Muito medo de arriscar no passe para não permitir transições rápidas à Argentina. Na 1ª parte a Holanda defendeu mal, deixando muito espaço entre linhas, sendo a Argentina incapaz de aproveitar este factor pura e simplesmente pelo posicionamento de Higuain e Lavezzi. O jogo argentino apresentava-se básico e primitivo e só Enzo conseguia colocar alguma magia no jogo, partindo no 1 contra 1 várias vezes e procurando o espaço, isto enquanto na maioria do tempo os centrais entregavam a bola a Zabaleta, Biglia ou Mascherano, para este trio enviar chutão directamente para a defesa holandesa. Mau demais. 
Na 2ª parte Van Gaal retirou de campo o desnorteado Martins Indi (... 8,5 milhões, Porto? A sério?) e a equipa melhorou defensivamente. Clasie também entrou bem no jogo e a Holanda dava menos espaço e parecia melhor fisicamente, querendo arriscar mais do que os argentinos. O domínio acentuou-se com a saída de Enzo Perez e consequente entrada de Palacio e Aguero. Se Palacio teve na cabeça o possível golo da vitória, já no prolongamento, Aguero foi um autêntico zero, completamente ausente do jogo. O momento mais emocionante de todo o jogo foi mesmo o falhanço de Robben. Um toque a mais na bola tirou-lhe a glória e tirou-lhe provavelmente a oportunidade de ser eleito melhor jogador do torneio. 
Quando o jogo chegou aos penaltis ninguém poderia imaginar o nível de espantalhice que o guarda-redes Cillessen atinge nestes momentos. Nem um único penalti defendido em toda a carreira é obra. A Argentina passeou e a Holanda desesperou nesta fase. Para mim a pior equipa qualificou-se para a final. Um conjunto de grandes jogadores com um ET chamado Messi carregaram a nação e tentaram minimizar os estragos provocados por Sabella. Conseguiram. É um grande feito apesar do caminho argentino ter sido incomparavelmente mais fácil do que o que a Alemanha teve que percorrer.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Mundial 2014 Quartos de Final

 Alemanha 1-0 França



Para muitos uma final antecipada. Sejamos justos. Brasil e Argentina só são considerados favoritos porque têm individualidades capazes de resolver. Enquanto equipa, Brasil e Argentina são inferiores a qualquer uma das selecções que nestes quartos de final estiveram em prova. É portanto natural defender que este jogo seria quase uma final antecipada e que a Alemanha é agora a principal candidata ao título de campeã do Mundo.
Joachim Löw ganhou inequivocamente o duelo a Deschamps. As mexidas introduzidas no 11 titular alemão foram na mouche. Falemos na principal alteração de todas: retirar Lahm do meio campo e colocá-lo na sua posição natural. Que Lahm é um génio capaz de alinhar em qualquer posição defensiva (talvez não a central pela altura) penso que ninguém discorda. Que Lahm é um dos melhores ou o melhor lateral do Mundo penso que é também inquestionável. Com a entrada de Lahm para o flanco direito a Alemanha ganhou uma nova alma por aquele lado, mas não só. Khedira entrou para a posição de Lahm e fez uma excelente exibição. Na minha opinião Khedira foi o melhor jogador em campo. Era através dos pés dele que a Alemanha conseguia furar a barreira francesa do meio campo. Para além de assumir o transporte de bola para o último terço sobrava-lhe tempo para asfixiar os movimentos de Pogba ou Matuidi. Espectacular, Khedira, e tudo porque Lahm regressou às origens!
 Deschamps perdeu e ajudou a sua França a tombar. Primeiro, por azar. A cabeçada de Hummels na resposta a um livre telecomandado são coisas que acontecem. A exibição mais apagada de Pogba também pode ser fruto da idade - Pogba tem apenas 21 anos e acusou o peso da maquinaria alemã nas suas costas. O que não se justifica é a 2ª parte realizada pela França e as mexidas realizadas por Deschamps. A França, através do esforço enorme de Matuidi, equilibrava as contas a meio-campo e ganhava balanço para procurar a vitória. Deschamps retira Cabaye, principal organizador da equipa, jogador que vinha pegar no jogo junto aos centrais na 1ª fase de construção e acaba o jogo com 4 avançados encostados à última linha alemã. A Alemanha agradeceu o brinde e foi fácil aguentar o 1-0 até ao final.
Foi um jogo interessante do ponto de vista táctico e bem disputado. A partir daqui a Alemanha, sendo fiel aos seus princípios e se Löw não inventar, pode ter já uma mão no caneco...

Brasil 2-1 Colômbia



Não foi um grande jogo mas foi um grande espectáculo. Quatro momentos Kodak para mais tarde recordar. 
Primeiro momento Kodak: golo do David Luiz. Willian brincou com o colega e disse que finalmente todas aquelas horas de treino no "Tchelsi" deram resultado. Scolari também brincou depois do jogo ao dizer que David Luiz tinha estado horas a ver vídeos do Marcelinho Carioca. Alto e pára o baile! Marcelinho Carioca! Um ídolo dos anos 90 que não fez história no escrete. Os adeptos do Timão devem ter saudades dos livres maravilhosos que este senhor batia. Engraçado pensar que quase todas as minhas grandes referências, no que a cobradores de falta diz respeito, nasceram no Brasil: Branco, Valdo, Roberto Carlos, Marcelinho Carioca, Ronaldinho Gaúcho e claro, Heitor, só para dar alguns exemplos. Este país é de facto especial. 
O segundo momento Kodak terá que ser o gafanhoto ou louva-a-deus no ombro do James depois do colombiano ter reduzido para 2-1. Bermudez reencarnou em verde para dar uma forcinha à sua equipa! Autêntico anjinho da guarda de James Rodriguez. Insuficiente para evitar a eliminação.
O terceiro momento Kodak é a joelhada que Zuñiga deu na espinha de Neymar. São coisas que acontecem e é uma pena que o Mundial tenha vindo a perder figuras que poderiam entrar ainda mais profundamente na mitologia do futebol. Neymar já faz parte dessas histórias de embalar, mas poderia ter chegado a personagem principal.
O quarto momento Kodak é David Luiz, no final do jogo, abraçado a um James lavado em lágrimas. Foi bonito mas... Terá sido sincero ou terá sido marketing? Vamos acreditar que sim, vamos acreditar que foi sincero, vamos acreditar na boa natureza humana do Sideshow Bob.
Tacticamente este jogo foi uma bela porcaria por culpa de Pekerman - que considero melhor treinador/seleccionador que Scolari. Pekerman optou por colocar os inofensivos Ibarbo e Teofilo Gutierrez na frente, deixando Bacca e Jackson Martinez no banco. Sinceramente, são opções que eu não compreendo. Juntem a esta doidice a péssima exibição de Cuadrado e a passividade de Carlos Sanchez e têm aí o motivo da vitória do Brasil. Scolari contou com uma exibição monstruosa do seu quarteto defensivo, mas fez por isso. Primeiro contou com a garra dos seus jogadores desde o apito inicial, coisa com a qual Pekerman não contou. Depois colocou Fernandinho como carraça de James e promoveu a titularidade de Maicon: a defesa do Brasil já era sólida, ficou ainda melhor com estas alterações. Juntem-lhe a estrelinha de marcar mais uma vez no início da partida e mais uma vez através de um bola parada e dum erro do adversário. Juntem-lhe um livre brutal de David Luiz. Juntem-lhe mais de meia centena de faltas numa partida. Juntem um arbitragem caseirinha. Aí têm os ingredientes do bolo da vitória.
O Brasil, a mim, não me impressiona. A Colômbia de Pekerman errou, teve medo, foi infeliz e jogou mal.

Argentina 1-0 Bélgica



 Muito provavelmente o pior jogo de todo o Mundial. Até o Irão vs Nigéria me divertiu mais. A Bélgica foi uma desilusão tremenda, cheguei a acreditar que seriam sérios candidatos à conquista do troféu. Desilusão! O jogo com os americanos esgotou os belgas duma forma drástica. Imaginem, no Street Fighter, ambos a chegarem à última gotinha da barra vermelha, e nisto dão os dois um soco ao mesmo tempo e o combate acaba ali. O vencedor foi a Bélgica, mas ambos saíram derrotados. Enquanto se vivia um épico neste encontro, a Argentina passou pela Suiça com uma grande borra e com mais um jogo secante.  Mas se existia uma evidente superioridade dos sul americanos no plano da condição física essa condição não foi aproveitada por Sabella. A Argentina preferiu sentar-se à espera do que a Bélgica tinha para dar, depois da chouriçada (ou grande golo, conforme a interpretação) de Higuain.
Que desilusão, Bélgica! Marc Wilmots merecia ir com o Sabella para a prisão do futebol. A selecção belga foi completamente incapaz de fazer um jogo assente na posse de bola e no controlo do adversário. Todo o plano era esperar pelo que a Argentina fazia no ataque e procurar tramá-los no contra-ataque. Que errado. A colocação de Fellaini ao lado de Origi no movimento ofensivo da equipa, com as subidas de Alderweireld e Vertonghen para aproveitarem a altura do cabeludo na área, através de cruzamentos, faziam com que enormes espaços surgissem na zona de meio campo. O seleccionador belga não deve ter visto muitos jogos do Garay esta época já que foi facílimo limpar todos aqueles cruzamentos que pareciam ser feitos a régua e esquadro para a cabeça do argentino. E que dizer de De Bruyne, Hazard, Mirallas e companhia? Demasiado maus. De Bruyne não teve engenho para encontrar espaço no meio pela sagacidade e raça de Biglia e Mascherano. Hazard e Mirallas pareciam com medo de avançar para cima dos argentinos. Que desilusão! Que desilusão! Que desilusão!
Do lado da Argentina, apesar do desgoverno a partir do banco, pudemos observar algumas mudanças interessantes na equipa. Primeiro que tudo a inteligência de Messi que percebeu que a subida constante de Fellaini no terreno lhe dava espaço de sobra para jogar no grande círculo, com a batuta da orquestra na mão, à espera de iniciar jogadas. Higuain melhorou em relação aos últimos jogos, marcou um golito e atirou outra à barra (quase matava o Sabella!). Garay fez mais uma exibição enorme assim como Zabaleta. Vamos ver até quando vão as individualidades carregar esta equipazinha às costas.
Já disse que a Bélgica foi uma tremenda desilusão? Que desilusão, Bélgica...

Costa Rica 0-0 (3-4 a.g.p.) Holanda


Há tanta coisa bonita para ser dita sobre este jogo. Primeiro vamos aos dois treinadores. Jorge Luís Pinto e Van Gaal: que senhores! Van Gaal provou nesta partida saber ler o adversário. Colocou a sua equipa bem na frente, aproveitando a linha defensiva profunda dos costa-riquenhos e praticamente não os deixou respirar. Mas Jorge Luís Pinto também não brincou em serviço com a colocação dos habituais Ruiz, Campbell e Bolaños na pressão ao trio defensivo da Holanda, provocando dificuldades na saída de bola e impedindo uma avalanche ainda maior de ataque laranja.
Se a Holanda tinha os génios Sneijder, Robben e Van Persie, a Costa Rica respondia com Keylor Navas, sorte e muita, mesmo muita, raça.
A Costa Rica sofreu com a exibição de Joel Campbell. O avançado, visivelmente cansado e com alguns macaquinhos na cabeça pela indefinição no seu futuro, fez uma exibição longe do que nos tem habituado. Quando Ureña entrou a Holanda suou. Jasper Cillessen, antes de ver o seu colega Tim Krul entrar em campo para ser o herói da partida nos penaltis, safou uma ou duas vezes a sua selecção de sofrer golo e de poder ser eliminada. Yeltsin Tejeda e Celso Borges foram mais uma vez fontes inesgotáveis de força e capacidade para sofrer. Acosta entrou bem para substituir Oscar Duarte na defesa. Foi a Costa Rica habitual com um handicap na zona do ponta de lança...
A Holanda foi para cima e tentou de todas as formas. Sneijder em evidência com passes teleguiados e bolas paradas temíveis (acertou no poste numa delas). Robben, mais uma vez, melhor no final do jogo e prolongamento, levou inclusive Jorge Luís Pinto a abraçar-se a ele para lhe pedir para não provocar mais estragos! Ponto negativo para o 3º elemento do ataque laranja: Depay e depois Lens. Não conseguiram escavacar o bocadinho que faltava para fazer ruir as fundações costa-riquenhas.
Um duelo gigante de Guarda-Redes surgiu nos penaltis com Van Gaal a fazer uma coisa que nunca tinha visto: Krul a entrar para substituir Cillessen e ser o herói. Krul vs Navas. Que coisa linda. Que momento para mais tarde recordar. Mas agora sejamos justos: Van Persie, Robben, Sneijder e Kuyt. Quem tem batedores destes... Fica mais fácil, não fica?
Obrigado por todos os belos momentos, Costa Rica de 2014. Inesquecível seleccão! Heróis.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Mundial 2014 Oitavos de Final

Brasil 1-1 (3-2 a.g.p.) Chile 


Sampaoli, Pekerman e Sabella, três treinadores argentinos no Mundial; não acham engraçado o pior deles todos ser o treinador da Argentina? Sampaoli, o carequinha rezingão, discípulo de Bielsa, é melhor do que o mestre. Se não é melhor, pelo menos a sua selecção está melhor orientada do que a selecção chilena de Bielsa. Bielsa usava um 3-4-3 apenas com um médio defensivo (Carmona) e normalmente com 2 extremos, 1 ponta de lança fixo (Suazo) e 1 nº 10 (Matias Fernandez ou Valdivia). Contra o Brasil foi batido por 3-0. Na Argentina de 98 era a mesma coisa, com Batistuta a ponta de lança e com Simeone a 6 e Veron a 10, tendo sido eliminado nos quartos de final pela Holanda de Bergkamp (2-1). Sampaoli ontem deu muito mais luta do que as equipas de Bielsa e sai eliminado, mas com a cabeça bem levantada. 
Scolari pode ler-se como quem lê um livro. É facílimo, não tem nada que saber. Não joga Paulinho, joga Fernandinho. Fred não corresponde, lança Jô. Confiar na capacidade defensiva da equipa e rezar para que Neymar ou Hulk aguentem as pauladas e num lance qualquer resolvam. A selecção brasileira está mal trabalhada e mal aproveitada. Está à vista de todos. Sampaoli leu todos os momentos do jogo e respondeu sempre bem. Mena e Isla, no 3-5-2 de Sampaoli, ajudaram sempre imenso a linha mais recuada, actuando a maior parte do tempo como laterais. O posicionamento de Aranguiz foi alterado imensas vezes, jogando ora mais perto de Vidal, ora mais perto de Diaz e, enquanto Pinilla não entrava, chegou até a ser o elemento no centro que mais avançava no terreno (Vidal tinha estoirado fisicamente a meio da 2ª parte). Sampaoli percebeu que o Chile já não tinha muito mais para dar no final dos 90 minutos. Defendeu-se com unhas e dentes e aproveitou a extrema azelhice de Jô. Scolari demorou 106 minutos a perceber que Oscar estava ausente do jogo e Willian é lançado para os últimos 15 minutos. O Chile tinha agora que defender com toda a alma e a imagem de Medel a sair do campo, cheio de dores e lavado em lágrimas, é fortíssima. Por esta altura acho que o Chile já tinha conquistado o Mundo inteiro e estavam biliões de pessoas a torcer por eles. Eu estava, pelo menos. E quando Pinilla mandou aquela pastilha na barra no prolongamento houve de certeza milhões de mãos a aterrar na cabeça em sinal de desespero. Ai se a dita cuja tivesse entrado... Ele há coisas... Normalmente a equipa que faz tudo para conquistar os penaltis é quem vence, mas raios, obra do diabo e de Nª Srª do Caravaggio, a vitória ficou em casa. Scolari ficou com uma mancha castanha nas cuecas e o Brasil passou aos Quartos de Final como quem passa as portagens da ponte 25 de Abril num Domingo às 19:00. Se os Deuses do futebol estiverem atentos este Brasil não conseguirá passar a Colômbia.

Colômbia 2-0 Uruguai


Oscar Tabarez repetiu a receita que aplicou no jogo contra Inglaterra e Itália. Sentou a equipa atrás, tentou que os jogadores fossem rápidos sobre a bola e que convidassem a Colômbia a subir para causar estragos no contra-ataque. Sem Lodeiro, a equipa não ganhou a dimensão de que necessitava para carregar ou enviar jogo para os dois da frente e o jogo uruguaio era engolido por uma Colômbia extremamente moralizada. Em princípio pareceu-me uma abordagem inteligente de Tabarez tendo em conta as dificuldades que a Colômbia por vezes tem em assumir o jogo, mas o Uruguai esteve em dia não e a Colômbia conseguiu desatar o jogo pelo génio de James.
Pekerman revitalizou um James Rodriguez que passou uma época de tristezas no Monaco. Muitas vezes relegado para o banco de suplentes nos franceses, sem Falcão, passou a estrela maior da companhia colombiana no Brasil. Em boa hora o fez. Já tínhamos testemunhado alguma desta magia em Portugal mas o que ele está a fazer no Campeonato do Mundo é o que verdadeiramente fica para sempre. Aquele ping pong com a bola a viajar até ao peito de James, a parábola do peito ao pé e uma nova viagem até ao fundo das redes de Muslera. Um dos melhores golos que já vimos neste Mundial. Uma verdadeira obra de arte para mais tarde recordar. Mas não podemos menosprezar a jogada do seu 2º golo, passes bonitos e com um objectivo: a assistência perfeita de Cuadrado que praticamente parou suspenso no ar para dar a bola ao mágico James! 
Toda a magia colombiana era desvendada  por Pekerman enquanto Tabarez, no banco uruguaio, desesperava com as exibições de Cavani e Forlan. Fizeram um péssimo mundial. Cavani deve ser o jogador com maior percentagem de acerto nas orelhas da bola. Do Uruguai, aliás, fica fraca memória. Conseguiram deixar italianos e ingleses de fora para depois Suarez deitar muito a perder com mais uma acefalia das do costume. Não culpem a FIFA, não culpem o Brasil, não culpem a Itália. A culpa é toda de Suarez e duma selecção que não sabe viver sem o seu principal astro. Esperava que o sentimento de revolta fosse aproveitado. Não foi. Foi pouco e a Colômbia está com cada vez mais sede de glória.  

Holanda 2-1 México 



Ter Van Gaal no banco é um luxo. Ter sorte num campeonato do Mundo não tem preço. Ter um treinador que sabe ir à procura da sorte é um descanso. 
Holanda e México foram pimentos de cores diferentes numa bela caldeirada de Fortaleza. A caldeirada teimava em não arrefecer. Que sopa chata! Dois sistemas tácticos semelhantes a boiar no tacho com jogadores encaixados uns nos outros. Uma primeira parte chatinha com o México mais próximo da baliza holandesa. Mais de 30ºC. Humidade. De vez em quando a raia Herrera tentava saltar para fora, com o tamboril Robben do outro lado a tentar trepar, mas cedo tudo voltava à estaca zero. Muito calor, muito quente, escaldante, mas sem ninguém conseguir provar o belo caldo. Quanto mais água se juntava à caldeirada mais a razão se elevava. "Este vai ser o pior jogo do Mundial" - dizia eu - "Ai vai?" - retorquia Gio dos Santos enquanto mandava uma pastilha gorila atravessar a goela de Cillessen - "Se calhar não" - corroborava eu. É então que o simpático Louis Van Gaal se antecipa ao super guerreiro Miguel Herrera, desfazendo o 3-5-2 e atirando para dentro de campo Depay - o novo Glen Helder lá do sítio -, passando a Holanda a alinhar em 4-3-3. Até parecia que a estratégia holandesa passava pela poupança física até à meia hora final. Com Robben mais fresco aos 70 minutos de jogo do que aos 15 e com Depay enérgico, a Holanda conseguia finalmente provocar desequilíbrios na defensiva mexicana, com o Rafa Marquez em sofrimento e com o Ochoa a ser surrealista, salvador, salvador dali, salvador daqui, salvador de todo o lado. Só não conseguiu salvar uma partícula que saiu dos pés de Sneijder e bateu a velocidade da luz até ao momento em que uma simples rede de futebol acaba com um dos momentos mais importantes para a comunidade científica - É a vida, no próximo jogo há mais, acreditassem em Deus. E por falar em Deus, quem melhor que Robben para conquistar um penalty dramático que em 3 minutos mete o jogo de pernas para o ar? Vitória da Holanda, derrota do México. Fiquei com vontade de ver mais do exótico México e continuo desconfiado da capacidade da Holanda. Mas quem tem Robben e Van Gaal tem muito para nos dar. 

Costa Rica 1-1 (5-3 a.g.p.) Grécia


Duas equipas orientadas para defender tinham que sair da sua praia se quisessem chegar aos quartos de final. Fernando Santos depositava as suas esperanças nos desequilíbrios que Lazaros (que grande Mundial), Samaras e Holebas conseguiam provocar nas linhas mais recuadas costa-riquenhas, enquanto que Jorge Luís Pinto rezava para que a pujança de Joel Campbell, a magia de Bryan Ruiz ou a raça de Bolaños provocassem danos nos gregos. Foi provavelmente Lazaros Christodoulopoulos, médio ofensivo contratado pelo Hellas Verona ao Bolonha, quem mais perto esteve do golo, mas a magia de Bryan Ruiz com um passe de primeira, com a parte interior do pé, rumo à malha lateral interior da baliza de Karnezis, foi quem desbloqueou o 0-0. O golo foi bonito, pareceu-me em slow motion, com Karnezis pregado ao chão e a rede da baliza a recepcionar o magnífico passe-remate de Bryan. A Costa Rica, montada no seu habitual 5-4-1 (que se desdobra em 3-4-3 na fase atacante) resistia como podia às investidas gregas. Foi pouco depois do golo de Bryan Ruiz que o central Oscar Duarte foi expulso e que Fernando Santos atirou todos os avançados que tinha no banco para dentro de campo. Mitroglu e Gekas procuravam empurrar a Costa Rica para trás mas a equipa, adaptada agora a um 4-4-1, continuou robusta e combativa. As entradas de Acosta (lateral mais defensivo que Gamboa) e de Cubero (Tejeda estava completamente exausto) revitalizaram uma equipa que ia acabar o jogo a defrontar uma Grécia com Karagounis e Katsouranis no meio, uma dupla de centrocampistas que perfaziam juntos 72 anos de idade. O esforço grego e a bela partida que tinham realizado foi recompensado nos descontos, quando Sokratis respondeu da melhor forma a uma recarga e mandou tudo para prolongamento. Do lado da Costa Rica havia uma estrela a brilhar mais alto que todos os colegas: Keylor Navas. Quando o jogo desembarcou nas grandes penalidades a gigante luva de Navas desviou um forte remate de Gekas e Michael Umaña assinou a passagem aos quartos de final desta mítica selecção. A Costa Rica não é só mítica. É inesquecível. Quem não souber o 11 habitual destes meninos que aprenda comigo: Keylor Navas na baliza, os centrais são Michael Umaña, Giancarlo Gonzalez, Oscar Duarte, ala direita para Gamboa, ala esquerda para Junior Diaz, os médios do ferrolho Celso Borges e Yeltsin Tejeda, os extremos Bryan Ruiz e Bolaños, na frente Joel Campbell. Míticos. Obrigado, rapazes! Continuem a sonhar.

França 2-0 Nigéria



Vá, admitam, ninguém gosta da França. Admitam que gostam de alguns jogadores e ex-jogadores franceses mas que odeiam esta selecção. A França é Platini. França é como se fosse UEFA e FIFA. França não é Bosman mas representa Bosman. Futebol moderno. França é Monaco e PSG, clubes de trampa com dinheiro a rodos. Mas a França também é Papin, Djorkaeff, Zidane e Desailly. A França é Henry. Agora a França é Pogba, Griezman e Matuidi. Vale a pena suspirar por estes jogadores enquanto se despreza o azul daquelas camisolas. E a Nigéria? Quantos milhões apoiaram a Nigéria nestes oitavos? Muitos milhões! Mais do que os Benfiquistas que existem no Mundo! Isso são muitos milhões mesmo. A selecção que já foi de Okocha, Yekini e Taribo West está fresquinha que nem uma alface. O Mundo suspira pelo dia em que uma selecção africana chega ao Mundial e limpa estes betinhos qual arrastão em Carcavelos. Eu ainda sonhei, durante este jogo, com esse momento. Imaginem que o golo nigeriano era validado. Imaginem que o Enyeama fazia mais um vôo impossível. Imaginem que o Emenike estava inspirado. Podia ter acontecido, esteve muito perto de acontecer algo muito bonito neste jogo. Mas o monstro Pogba apareceu que nem um bicho papão e com uma cabeçada requintada acabou com o sonho e acordou todos os meninos em frente à televisão. 
Passando do sonho à táctica. A Nigéria surpreendeu-me muito. Optaram por ter a bola e trataram-na bem. Odemwingie e Musa trabalharam para a equipa, ajudaram em tarefas mais recuadas e merecem, cada um, um danoninho por isso. Mais danoninhos para Onazi, um verdadeiro poço de força que mesmo jogando limitado nunca parou de morder Cabaye e Pogba. Saiu lesionado num lance com o Matuidi e a Nigéria perdeu também por isso. Mais danoninhos para Enyeama, é um gigante, extraordinário guarda-redes que salvou por variadas vezes a sua selecção com defesas impossíveis. A França não impressionou e manteve-se fiel ao seu 4-3-3 que depois se transforma num 4-4-2 no ataque. Estes gajos, em dias desinspirados no ataque, têm uma defesa brutal que aguenta tudo e mais alguma coisa. Ah, e claro, têm sorte... Com sorte e com Pogba avançam para os quartos de final. O Mundo chorou a Nigéria. Okunowo chorou a Nigéria. Laurent Robert ergueu o cálice bem alto e brindou. 

Alemanha 0-0 (2-1 a.p.) Argélia  


Mas que grande surpresa esta Argélia! A Alemanha, não impressionando, está na luta pelo título. Joachim Löw, perito em gastronomia nasal, leu mal este jogo e colocou 4 centrais em campo. É um erro enorme. Primeiro porque sendo Lahm extremamente competente jogando no meio campo, é de certeza melhor jogador jogando na lateral, sendo muito mais influente no ataque do que jogando como médio mais recuado. Depois porque jogou o Boateng a central em vez de jogar o Mustafi. O Boateng é mais rápido e mais forte fisicamente do que o Mustafi, assim como, tal como Lahm, garantir um apoio melhor ao ataque. Quem não dorme é Halilhodzic, treinador da Argélia, que percebendo o dispositivo alemão colocou as setas Feghouli e Soudani para explorar as laterais. Enquanto houve pilhas, houve Argélia. Os 2 alas argelinos, para além de serem cruciais na entrada no último terço alemão era também cruciais para a defesa. A Alemanha não conseguia pegar na Argélia pelos colarinhos e não eram poucas as vezes que os europeus tremiam de medo das investidas africanas.
E os guarda-redes? Como é que um jogo com tantas oportunidades termina 0-0? M'Bolhi. Uma exibição gigante. Defesas a desafiar a física... E Neuer. Um líbero inesperado que leu o jogo melhor que o seu treinador. Impressionante o número de antecipações em saídas dos postes. Ainda mais impressionante o número de passes que Neuer completou e a importância que assumiu no futebol jogado com os pés. Rapidez, técnica com os pés e visão. Absolutamente incrível.
A Alemanha conseguiu aproveitar o desgaste argelino para passar para o comando das operações. Feghouli, Soudani e Taider foram provavelmente os jogadores que mais sofreram fisicamente e as opções para os substituir não estiveram à altura. Brahimi entrou muito mal no jogo e Djabou entrou com a sua equipa já a perder, ainda conseguindo reduzir para 2-1. A Alemanha merecia provavelmente ter resolvido a partida ainda durante os 90 minutos, já que os últimos 20 minutos foram complicados para os argelinos. Quando abre o prolongamento logo com um golo a morte argelina já estava há muito anunciada. Há, no entanto, um lance que me fica na memória. O último lance da partida, lance do tudo ou nada que poderia atirar a decisão para os penaltis, com a bola a sobrevoar todo o campo e com um argelino a cabecear às mãos de Neuer. Ironia das ironias: um jogo em que Neuer salva a sua equipa, vezes sem conta, com os pés, termina com a bola anichada nas suas mãos. 

 Argentina 0-0 (1-0 a.p.) Suiça


Já vos disse que é um crime o que Sabella está a fazer com esta selecção? É um crime. Sabella merecia a prisão do futebol. O Sabella merecia ser adjunto do Luís Campos. Merecia ser seleccionador da Gronelândia. Merecia treinar Miguéis Veloso. No prolongamento, com a Suiça de língua de fora, sabem o que é que o Sabella se lembrou de fazer? Tirou o Rojo para meter o Basanta e tirou o Gago para meter o Biglia. Genial, meu caro Sabella. Genial. A Argentina merecia ter sido eliminada e só não foi à lotaria dos penaltis por dois motivos. Primeiro porque o Lichtsteiner, depois de uma grande exibição, comete um erro que deixa a bola nos pés de Messi com a sua equipa em desequilíbrio. Di Maria finaliza à europeu, sangue frio, e gela ainda mais os Alpes. Sem hipóteses para Benaglio. Depois, porque Dzemaili, isolado e a para aí 2 metros da baliza, atira de cabeça ao poste e na recarga ao lado. Incrível a sorte da Argentina nos segundos finais.
Este jogo, para mim, foi o mais desinteressante de todos os oitavos de final. É o que tem menos história para contar. Tacticamente a Suiça limitou-se a anular (facilmente) as peças argentinas. Rodeou Messi. Di Maria só conseguia ser perigoso quando surgia pelo meio em combinações com a linha mais avançada, fugindo da posição que Sabella lhe atribuiu. Lavezzi esteve desinspirado. Higuain também. Sobravam os tractores Rojo e Zabaleta que muitos metros lavaram naquelas faixas laterais. A Suiça parecia tranquila e quando abanava tinha em Benaglio um poço de confiança. O homem fez um excelente Mundial e nesta partida mais uma excelente exibição.
Fiquei com pena da Suiça mas este mundial serviu para ter nascido uma nova convicção em mim: Benaglio melhor que Pascolo. Ottmar Hitzfeld, vencedor de 1 liga dos campeões e de várias ligas alemãs abandona o futebol e passa para o nosso lado. Seja bem vindo, mestre Hitzfeld. Foi uma pena esta sua Suiça não ter dado uma lição ainda maior a esta Argentinazinha de Sabella.

 Bélgica 0-0 (2-1 a.p.) EUA


Épico. Um dia se tiver um filho quero ver jogos destes com ele (a não ser que ele seja maricas, se for maricas vejo o canal TLC ou a Sic Radical com ele). Este jogo foi tão épico que o Obama ligou à equipa dos EUA a felicitá-los pela campanha, visando em particular Clint Dempsey e Tim Howard. Ui, falei em Tim Howard, agora nunca mais vou parar de escrever. É melhor irem à casa de banho mijar porque tenho muito para vos contar sobre Tim Howard. Tim Howard fez 16 defesas neste jogo. Mas não foram defesas a remates dum Hugo Leal qualquer. Patardos de força. Ele ia abaixo, ele ia acima, ele ia onde vocês quisessem. A partir duma certa altura este jogo transformou-se num massacre belga à baliza americana. Uma música tocava na cabeça de Tim Howard: pump up the jam, pump it up while your feet are stompin' and the jam is pumpin' look at here the crowd is jumpin', I don't want a place to stay get your boody on the floor tonight, make my day. E foi isto o jogo todo. Uma carrada de remates, uma carrada de defesas. Os belgas desesperavam. Luís Freitas Lobo pedia para arranjarem espaço em New Jersey para se fazer uma estátua a este homem. Eu dizia a amigos que a exibição do Howard batia aquela célebre exibição do William com o Boavista na Luz. No final, os jogadores belgas do Everton (que não são poucos), rodearam Howard e abraçaram-se a ele. Este jogo foi tão bonito. Não houve as tradicionais ronhas. Não houve pontapés de baliza a demorar 1 minuto. Foi sempre eléctrico e os jogadores deram tudo o que tinham. Até, pasmem-se, tivemos compaixão arbitral! O árbitro tinha dado 1 minuto de compensação no final do prolongamento, a Bélgica ganhava por 2-1 e 5 Belgas contra-atacavam, contra apenas 1 americano e Howard, com 15 segundos por disputar. O árbitro achou que Howard não merecia encaixar o 3º e apitou para o final. Os Belgas nem protestaram. Atiraram-se ao chão, abraçaram-se aos americanos, o público aplaudiu, o Mundo aplaudiu e agradeceu por esta coisa tão linda.
E as questões tácticas do jogo? Deliciosas, também elas. Na minha opinião os belgas provaram hoje que os seus laterais, apesar de serem centrais adaptados, cumprem bem essa posição. Principalmente Vertonghen que foi muito importante nas manobras ofensivas da equipa, aproveitando o espaço que a equipa dos EUA oferecia por estar demasiado fechada ao meio. E De Bruyne? Absolutamente fenomenal. Depois deste jogo Mourinho deve ter deitado as mãos à cabeça por ter vendido o jogador ao Wolfsburgo. De Bruyne correu, fintou, rematou, assistiu, desmarcou e desmarcou-se, recuperou bolas, fechou linhas de passe... Olhem, no Championship Manager, era um 10 redondinho como nota no jogo. A Bélgica no seu sistema 4-2-3-1 criou inúmeros perigos aos EUA, estando sempre mais perto da vitória mas os EUA, jogando no mesmo sistema mas muito mais fechados no meio, também estiveram muito perto de alcançar o triunfo. Em particular Chris Wondolowski que aos 90 minutos poderia ter terminado o lindo sonho belga e alcançado os quartos de final. Foi por cima. Os EUA, extremamente bem orientados por Jurgen Klinsmann e moralizados com a exibição do seu guardião, foram um digno vencido e uma equipa que deixa saudades e boas recordações para o futuro. Agora vamos todos torcer pela Bélgica frente à Argentina, a bem do futebol, ok?