terça-feira, 7 de outubro de 2014

Pontapé Canhão Nº5 - Paulo Torres

PAULO TORRES

Alcunha: Roberto Carlos português



Para começar, nem sei se esta alcunha existe ou não, o que é certo é que tanto o Roberto Carlos como o Paulo Torres participaram no Mundial de Sub20 em 1991 e mostraram ao Mundo a sua buja. Acontece que enquanto um depois ficou mundialmente famoso pelos seus remates com a bola aos s’s, o outro, bem, o outro vamos lá a ler…

Nascido em Évora, Paulo Torres começou a dar nas vistas nas camadas jovens do SL Évora, despertando o interesse do Sporting. Completou em Alvalade o resto da sua formação e Manuel José estreou-o pela primeira vez no campeonato maior em 88/89. Fez apenas um jogo, mas não era fácil roubar o lugar a Fernando Mendes. A sua utilização entre a sua estreia e a época 91/92 foi sempre muito intermitente, nunca conseguiu agarrar o lugar, mas a já falada participação no Mundial Sub20 garante-lhe a continuidade necessária numa equipa que passava por momentos conturbados (todos sabemos como foram os anos 90 dos leões).

Em 92/93, quando o cenário parece estar a mudar…Tudo na mesma, titularidade na 1ª jornada e a próxima aparição é apenas contra o Fátima, em Janeiro, nos oitavos de final da Taça. Mas Bobby Robson volta a dar-lhe a titularidade contra o Benfica, em Março e, apesar da derrota por 1-0, Paulo Torres parece convencer o técnico inglês e mantém-se na equipa até final da época,  alcançando o seu primeiro golo em Maio, num estonteante jogo em Guimarães que os leões vencem por 3-2 (vale a pena ver o vídeo, o golo do Paulo Torres começa aos 6:00). Termina a época com 2 golos (duas bujas, obviamente) e parte como principal lateral para a época seguinte. 



A época 93/94 não corre de feição ao Sporting, com Sousa Cintra a cometer um erro histórico (troca do grande Bobby Robson pelo treinador da moda Carlos Queiroz). Perdem o campeonato em casa (a substituição de Paulo Torres por Pacheco ficará na história do futebol português) contra o seu eterno rival e perdem a final da Taça após finalíssima contra o Porto. Paulo Torres faz 5 golos nos 43 jogos em que participa e as coisas parecem encaminhar-se para uma carreira bastante promissora. Puro engano! 



Queiroz utiliza-o apenas em 7 jogos na época seguite e acaba por ser dispensado para Campo Maior, onde partilha o balneário com jogadores como Paulo Sérgio (GR), Gila, Nuno Afonso, Arriaga, Portela (ex-Farense), Goran Stefanovic (também ex-Farense) e um tal de … Jimmy Floyd Hasselbaink. Apesar destes craques todos, o clube alentejano não evita a despromoção e Paulo Torres prossegue a sua meteórica queda. Duas épocas no Salamanca (15j/0g), Rayo Vallecano (zero jogos), Chaves (10j/1g), Legañés (zero jogos),  Torreense(25j/1g), Penafiel (2j/1g) e termina a carreia no Imortal, com um jogo efectuado. O que prometia ser uma grande carreira transformou-se num aparente pesadelo para um jogador que era considerado por muitos o melhor defesa esquerdo português dos anos 90. Fez apenas dois jogos pela Selecção.

Uma carreira com altos e baixos e também com poucos golos (apenas 10), o que não deixa de ser curioso num jogador que tinha um pontapé que fazia as partes baixas de qualquer Vital se arreganharem.



Passou para a carreira de treinador a partir de 2003, inciando a sua carreira em Peniche e já com passagens por Fátima, Barreirense, Bombarralense, Rio Maior, Torreense, At. Reguengos e Sp. Bissau. Está actualmente a orientar a selecção da Guiné Bissau. Um vasto currículo para quem tem apenas 42 anos de idade.

Como prova o seguinte vídeo, deixou saudades em Rio Maior: 


5 comentários:

  1. Grande Bujas, saúdo o teu regresso!

    Apenas uma precisão: em 92/93 o treinador do Sporting era o Robson. Ou a história que contas é de 91/92?

    Abraço

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  2. Hey Bujas, afinal estás vivo méne!

    Welcome back!

    Abraço

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  3. Obrigado pessoal! Já corrigi a parte do Marinho Peres, tinhas razão, era mesmo o Sir Bobby Robson! Abraço

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  4. GRANDE BUJAS!!

    bem-vindo, estava a ver que não!

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  5. Muito boa recordação, o Sporting doas anos de Figo e Balakov ficará para a eternidade, mesmo sem o desejado título.

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