quinta-feira, 3 de julho de 2014

Mundial 2014 Oitavos de Final

Brasil 1-1 (3-2 a.g.p.) Chile 


Sampaoli, Pekerman e Sabella, três treinadores argentinos no Mundial; não acham engraçado o pior deles todos ser o treinador da Argentina? Sampaoli, o carequinha rezingão, discípulo de Bielsa, é melhor do que o mestre. Se não é melhor, pelo menos a sua selecção está melhor orientada do que a selecção chilena de Bielsa. Bielsa usava um 3-4-3 apenas com um médio defensivo (Carmona) e normalmente com 2 extremos, 1 ponta de lança fixo (Suazo) e 1 nº 10 (Matias Fernandez ou Valdivia). Contra o Brasil foi batido por 3-0. Na Argentina de 98 era a mesma coisa, com Batistuta a ponta de lança e com Simeone a 6 e Veron a 10, tendo sido eliminado nos quartos de final pela Holanda de Bergkamp (2-1). Sampaoli ontem deu muito mais luta do que as equipas de Bielsa e sai eliminado, mas com a cabeça bem levantada. 
Scolari pode ler-se como quem lê um livro. É facílimo, não tem nada que saber. Não joga Paulinho, joga Fernandinho. Fred não corresponde, lança Jô. Confiar na capacidade defensiva da equipa e rezar para que Neymar ou Hulk aguentem as pauladas e num lance qualquer resolvam. A selecção brasileira está mal trabalhada e mal aproveitada. Está à vista de todos. Sampaoli leu todos os momentos do jogo e respondeu sempre bem. Mena e Isla, no 3-5-2 de Sampaoli, ajudaram sempre imenso a linha mais recuada, actuando a maior parte do tempo como laterais. O posicionamento de Aranguiz foi alterado imensas vezes, jogando ora mais perto de Vidal, ora mais perto de Diaz e, enquanto Pinilla não entrava, chegou até a ser o elemento no centro que mais avançava no terreno (Vidal tinha estoirado fisicamente a meio da 2ª parte). Sampaoli percebeu que o Chile já não tinha muito mais para dar no final dos 90 minutos. Defendeu-se com unhas e dentes e aproveitou a extrema azelhice de Jô. Scolari demorou 106 minutos a perceber que Oscar estava ausente do jogo e Willian é lançado para os últimos 15 minutos. O Chile tinha agora que defender com toda a alma e a imagem de Medel a sair do campo, cheio de dores e lavado em lágrimas, é fortíssima. Por esta altura acho que o Chile já tinha conquistado o Mundo inteiro e estavam biliões de pessoas a torcer por eles. Eu estava, pelo menos. E quando Pinilla mandou aquela pastilha na barra no prolongamento houve de certeza milhões de mãos a aterrar na cabeça em sinal de desespero. Ai se a dita cuja tivesse entrado... Ele há coisas... Normalmente a equipa que faz tudo para conquistar os penaltis é quem vence, mas raios, obra do diabo e de Nª Srª do Caravaggio, a vitória ficou em casa. Scolari ficou com uma mancha castanha nas cuecas e o Brasil passou aos Quartos de Final como quem passa as portagens da ponte 25 de Abril num Domingo às 19:00. Se os Deuses do futebol estiverem atentos este Brasil não conseguirá passar a Colômbia.

Colômbia 2-0 Uruguai


Oscar Tabarez repetiu a receita que aplicou no jogo contra Inglaterra e Itália. Sentou a equipa atrás, tentou que os jogadores fossem rápidos sobre a bola e que convidassem a Colômbia a subir para causar estragos no contra-ataque. Sem Lodeiro, a equipa não ganhou a dimensão de que necessitava para carregar ou enviar jogo para os dois da frente e o jogo uruguaio era engolido por uma Colômbia extremamente moralizada. Em princípio pareceu-me uma abordagem inteligente de Tabarez tendo em conta as dificuldades que a Colômbia por vezes tem em assumir o jogo, mas o Uruguai esteve em dia não e a Colômbia conseguiu desatar o jogo pelo génio de James.
Pekerman revitalizou um James Rodriguez que passou uma época de tristezas no Monaco. Muitas vezes relegado para o banco de suplentes nos franceses, sem Falcão, passou a estrela maior da companhia colombiana no Brasil. Em boa hora o fez. Já tínhamos testemunhado alguma desta magia em Portugal mas o que ele está a fazer no Campeonato do Mundo é o que verdadeiramente fica para sempre. Aquele ping pong com a bola a viajar até ao peito de James, a parábola do peito ao pé e uma nova viagem até ao fundo das redes de Muslera. Um dos melhores golos que já vimos neste Mundial. Uma verdadeira obra de arte para mais tarde recordar. Mas não podemos menosprezar a jogada do seu 2º golo, passes bonitos e com um objectivo: a assistência perfeita de Cuadrado que praticamente parou suspenso no ar para dar a bola ao mágico James! 
Toda a magia colombiana era desvendada  por Pekerman enquanto Tabarez, no banco uruguaio, desesperava com as exibições de Cavani e Forlan. Fizeram um péssimo mundial. Cavani deve ser o jogador com maior percentagem de acerto nas orelhas da bola. Do Uruguai, aliás, fica fraca memória. Conseguiram deixar italianos e ingleses de fora para depois Suarez deitar muito a perder com mais uma acefalia das do costume. Não culpem a FIFA, não culpem o Brasil, não culpem a Itália. A culpa é toda de Suarez e duma selecção que não sabe viver sem o seu principal astro. Esperava que o sentimento de revolta fosse aproveitado. Não foi. Foi pouco e a Colômbia está com cada vez mais sede de glória.  

Holanda 2-1 México 



Ter Van Gaal no banco é um luxo. Ter sorte num campeonato do Mundo não tem preço. Ter um treinador que sabe ir à procura da sorte é um descanso. 
Holanda e México foram pimentos de cores diferentes numa bela caldeirada de Fortaleza. A caldeirada teimava em não arrefecer. Que sopa chata! Dois sistemas tácticos semelhantes a boiar no tacho com jogadores encaixados uns nos outros. Uma primeira parte chatinha com o México mais próximo da baliza holandesa. Mais de 30ºC. Humidade. De vez em quando a raia Herrera tentava saltar para fora, com o tamboril Robben do outro lado a tentar trepar, mas cedo tudo voltava à estaca zero. Muito calor, muito quente, escaldante, mas sem ninguém conseguir provar o belo caldo. Quanto mais água se juntava à caldeirada mais a razão se elevava. "Este vai ser o pior jogo do Mundial" - dizia eu - "Ai vai?" - retorquia Gio dos Santos enquanto mandava uma pastilha gorila atravessar a goela de Cillessen - "Se calhar não" - corroborava eu. É então que o simpático Louis Van Gaal se antecipa ao super guerreiro Miguel Herrera, desfazendo o 3-5-2 e atirando para dentro de campo Depay - o novo Glen Helder lá do sítio -, passando a Holanda a alinhar em 4-3-3. Até parecia que a estratégia holandesa passava pela poupança física até à meia hora final. Com Robben mais fresco aos 70 minutos de jogo do que aos 15 e com Depay enérgico, a Holanda conseguia finalmente provocar desequilíbrios na defensiva mexicana, com o Rafa Marquez em sofrimento e com o Ochoa a ser surrealista, salvador, salvador dali, salvador daqui, salvador de todo o lado. Só não conseguiu salvar uma partícula que saiu dos pés de Sneijder e bateu a velocidade da luz até ao momento em que uma simples rede de futebol acaba com um dos momentos mais importantes para a comunidade científica - É a vida, no próximo jogo há mais, acreditassem em Deus. E por falar em Deus, quem melhor que Robben para conquistar um penalty dramático que em 3 minutos mete o jogo de pernas para o ar? Vitória da Holanda, derrota do México. Fiquei com vontade de ver mais do exótico México e continuo desconfiado da capacidade da Holanda. Mas quem tem Robben e Van Gaal tem muito para nos dar. 

Costa Rica 1-1 (5-3 a.g.p.) Grécia


Duas equipas orientadas para defender tinham que sair da sua praia se quisessem chegar aos quartos de final. Fernando Santos depositava as suas esperanças nos desequilíbrios que Lazaros (que grande Mundial), Samaras e Holebas conseguiam provocar nas linhas mais recuadas costa-riquenhas, enquanto que Jorge Luís Pinto rezava para que a pujança de Joel Campbell, a magia de Bryan Ruiz ou a raça de Bolaños provocassem danos nos gregos. Foi provavelmente Lazaros Christodoulopoulos, médio ofensivo contratado pelo Hellas Verona ao Bolonha, quem mais perto esteve do golo, mas a magia de Bryan Ruiz com um passe de primeira, com a parte interior do pé, rumo à malha lateral interior da baliza de Karnezis, foi quem desbloqueou o 0-0. O golo foi bonito, pareceu-me em slow motion, com Karnezis pregado ao chão e a rede da baliza a recepcionar o magnífico passe-remate de Bryan. A Costa Rica, montada no seu habitual 5-4-1 (que se desdobra em 3-4-3 na fase atacante) resistia como podia às investidas gregas. Foi pouco depois do golo de Bryan Ruiz que o central Oscar Duarte foi expulso e que Fernando Santos atirou todos os avançados que tinha no banco para dentro de campo. Mitroglu e Gekas procuravam empurrar a Costa Rica para trás mas a equipa, adaptada agora a um 4-4-1, continuou robusta e combativa. As entradas de Acosta (lateral mais defensivo que Gamboa) e de Cubero (Tejeda estava completamente exausto) revitalizaram uma equipa que ia acabar o jogo a defrontar uma Grécia com Karagounis e Katsouranis no meio, uma dupla de centrocampistas que perfaziam juntos 72 anos de idade. O esforço grego e a bela partida que tinham realizado foi recompensado nos descontos, quando Sokratis respondeu da melhor forma a uma recarga e mandou tudo para prolongamento. Do lado da Costa Rica havia uma estrela a brilhar mais alto que todos os colegas: Keylor Navas. Quando o jogo desembarcou nas grandes penalidades a gigante luva de Navas desviou um forte remate de Gekas e Michael Umaña assinou a passagem aos quartos de final desta mítica selecção. A Costa Rica não é só mítica. É inesquecível. Quem não souber o 11 habitual destes meninos que aprenda comigo: Keylor Navas na baliza, os centrais são Michael Umaña, Giancarlo Gonzalez, Oscar Duarte, ala direita para Gamboa, ala esquerda para Junior Diaz, os médios do ferrolho Celso Borges e Yeltsin Tejeda, os extremos Bryan Ruiz e Bolaños, na frente Joel Campbell. Míticos. Obrigado, rapazes! Continuem a sonhar.

França 2-0 Nigéria



Vá, admitam, ninguém gosta da França. Admitam que gostam de alguns jogadores e ex-jogadores franceses mas que odeiam esta selecção. A França é Platini. França é como se fosse UEFA e FIFA. França não é Bosman mas representa Bosman. Futebol moderno. França é Monaco e PSG, clubes de trampa com dinheiro a rodos. Mas a França também é Papin, Djorkaeff, Zidane e Desailly. A França é Henry. Agora a França é Pogba, Griezman e Matuidi. Vale a pena suspirar por estes jogadores enquanto se despreza o azul daquelas camisolas. E a Nigéria? Quantos milhões apoiaram a Nigéria nestes oitavos? Muitos milhões! Mais do que os Benfiquistas que existem no Mundo! Isso são muitos milhões mesmo. A selecção que já foi de Okocha, Yekini e Taribo West está fresquinha que nem uma alface. O Mundo suspira pelo dia em que uma selecção africana chega ao Mundial e limpa estes betinhos qual arrastão em Carcavelos. Eu ainda sonhei, durante este jogo, com esse momento. Imaginem que o golo nigeriano era validado. Imaginem que o Enyeama fazia mais um vôo impossível. Imaginem que o Emenike estava inspirado. Podia ter acontecido, esteve muito perto de acontecer algo muito bonito neste jogo. Mas o monstro Pogba apareceu que nem um bicho papão e com uma cabeçada requintada acabou com o sonho e acordou todos os meninos em frente à televisão. 
Passando do sonho à táctica. A Nigéria surpreendeu-me muito. Optaram por ter a bola e trataram-na bem. Odemwingie e Musa trabalharam para a equipa, ajudaram em tarefas mais recuadas e merecem, cada um, um danoninho por isso. Mais danoninhos para Onazi, um verdadeiro poço de força que mesmo jogando limitado nunca parou de morder Cabaye e Pogba. Saiu lesionado num lance com o Matuidi e a Nigéria perdeu também por isso. Mais danoninhos para Enyeama, é um gigante, extraordinário guarda-redes que salvou por variadas vezes a sua selecção com defesas impossíveis. A França não impressionou e manteve-se fiel ao seu 4-3-3 que depois se transforma num 4-4-2 no ataque. Estes gajos, em dias desinspirados no ataque, têm uma defesa brutal que aguenta tudo e mais alguma coisa. Ah, e claro, têm sorte... Com sorte e com Pogba avançam para os quartos de final. O Mundo chorou a Nigéria. Okunowo chorou a Nigéria. Laurent Robert ergueu o cálice bem alto e brindou. 

Alemanha 0-0 (2-1 a.p.) Argélia  


Mas que grande surpresa esta Argélia! A Alemanha, não impressionando, está na luta pelo título. Joachim Löw, perito em gastronomia nasal, leu mal este jogo e colocou 4 centrais em campo. É um erro enorme. Primeiro porque sendo Lahm extremamente competente jogando no meio campo, é de certeza melhor jogador jogando na lateral, sendo muito mais influente no ataque do que jogando como médio mais recuado. Depois porque jogou o Boateng a central em vez de jogar o Mustafi. O Boateng é mais rápido e mais forte fisicamente do que o Mustafi, assim como, tal como Lahm, garantir um apoio melhor ao ataque. Quem não dorme é Halilhodzic, treinador da Argélia, que percebendo o dispositivo alemão colocou as setas Feghouli e Soudani para explorar as laterais. Enquanto houve pilhas, houve Argélia. Os 2 alas argelinos, para além de serem cruciais na entrada no último terço alemão era também cruciais para a defesa. A Alemanha não conseguia pegar na Argélia pelos colarinhos e não eram poucas as vezes que os europeus tremiam de medo das investidas africanas.
E os guarda-redes? Como é que um jogo com tantas oportunidades termina 0-0? M'Bolhi. Uma exibição gigante. Defesas a desafiar a física... E Neuer. Um líbero inesperado que leu o jogo melhor que o seu treinador. Impressionante o número de antecipações em saídas dos postes. Ainda mais impressionante o número de passes que Neuer completou e a importância que assumiu no futebol jogado com os pés. Rapidez, técnica com os pés e visão. Absolutamente incrível.
A Alemanha conseguiu aproveitar o desgaste argelino para passar para o comando das operações. Feghouli, Soudani e Taider foram provavelmente os jogadores que mais sofreram fisicamente e as opções para os substituir não estiveram à altura. Brahimi entrou muito mal no jogo e Djabou entrou com a sua equipa já a perder, ainda conseguindo reduzir para 2-1. A Alemanha merecia provavelmente ter resolvido a partida ainda durante os 90 minutos, já que os últimos 20 minutos foram complicados para os argelinos. Quando abre o prolongamento logo com um golo a morte argelina já estava há muito anunciada. Há, no entanto, um lance que me fica na memória. O último lance da partida, lance do tudo ou nada que poderia atirar a decisão para os penaltis, com a bola a sobrevoar todo o campo e com um argelino a cabecear às mãos de Neuer. Ironia das ironias: um jogo em que Neuer salva a sua equipa, vezes sem conta, com os pés, termina com a bola anichada nas suas mãos. 

 Argentina 0-0 (1-0 a.p.) Suiça


Já vos disse que é um crime o que Sabella está a fazer com esta selecção? É um crime. Sabella merecia a prisão do futebol. O Sabella merecia ser adjunto do Luís Campos. Merecia ser seleccionador da Gronelândia. Merecia treinar Miguéis Veloso. No prolongamento, com a Suiça de língua de fora, sabem o que é que o Sabella se lembrou de fazer? Tirou o Rojo para meter o Basanta e tirou o Gago para meter o Biglia. Genial, meu caro Sabella. Genial. A Argentina merecia ter sido eliminada e só não foi à lotaria dos penaltis por dois motivos. Primeiro porque o Lichtsteiner, depois de uma grande exibição, comete um erro que deixa a bola nos pés de Messi com a sua equipa em desequilíbrio. Di Maria finaliza à europeu, sangue frio, e gela ainda mais os Alpes. Sem hipóteses para Benaglio. Depois, porque Dzemaili, isolado e a para aí 2 metros da baliza, atira de cabeça ao poste e na recarga ao lado. Incrível a sorte da Argentina nos segundos finais.
Este jogo, para mim, foi o mais desinteressante de todos os oitavos de final. É o que tem menos história para contar. Tacticamente a Suiça limitou-se a anular (facilmente) as peças argentinas. Rodeou Messi. Di Maria só conseguia ser perigoso quando surgia pelo meio em combinações com a linha mais avançada, fugindo da posição que Sabella lhe atribuiu. Lavezzi esteve desinspirado. Higuain também. Sobravam os tractores Rojo e Zabaleta que muitos metros lavaram naquelas faixas laterais. A Suiça parecia tranquila e quando abanava tinha em Benaglio um poço de confiança. O homem fez um excelente Mundial e nesta partida mais uma excelente exibição.
Fiquei com pena da Suiça mas este mundial serviu para ter nascido uma nova convicção em mim: Benaglio melhor que Pascolo. Ottmar Hitzfeld, vencedor de 1 liga dos campeões e de várias ligas alemãs abandona o futebol e passa para o nosso lado. Seja bem vindo, mestre Hitzfeld. Foi uma pena esta sua Suiça não ter dado uma lição ainda maior a esta Argentinazinha de Sabella.

 Bélgica 0-0 (2-1 a.p.) EUA


Épico. Um dia se tiver um filho quero ver jogos destes com ele (a não ser que ele seja maricas, se for maricas vejo o canal TLC ou a Sic Radical com ele). Este jogo foi tão épico que o Obama ligou à equipa dos EUA a felicitá-los pela campanha, visando em particular Clint Dempsey e Tim Howard. Ui, falei em Tim Howard, agora nunca mais vou parar de escrever. É melhor irem à casa de banho mijar porque tenho muito para vos contar sobre Tim Howard. Tim Howard fez 16 defesas neste jogo. Mas não foram defesas a remates dum Hugo Leal qualquer. Patardos de força. Ele ia abaixo, ele ia acima, ele ia onde vocês quisessem. A partir duma certa altura este jogo transformou-se num massacre belga à baliza americana. Uma música tocava na cabeça de Tim Howard: pump up the jam, pump it up while your feet are stompin' and the jam is pumpin' look at here the crowd is jumpin', I don't want a place to stay get your boody on the floor tonight, make my day. E foi isto o jogo todo. Uma carrada de remates, uma carrada de defesas. Os belgas desesperavam. Luís Freitas Lobo pedia para arranjarem espaço em New Jersey para se fazer uma estátua a este homem. Eu dizia a amigos que a exibição do Howard batia aquela célebre exibição do William com o Boavista na Luz. No final, os jogadores belgas do Everton (que não são poucos), rodearam Howard e abraçaram-se a ele. Este jogo foi tão bonito. Não houve as tradicionais ronhas. Não houve pontapés de baliza a demorar 1 minuto. Foi sempre eléctrico e os jogadores deram tudo o que tinham. Até, pasmem-se, tivemos compaixão arbitral! O árbitro tinha dado 1 minuto de compensação no final do prolongamento, a Bélgica ganhava por 2-1 e 5 Belgas contra-atacavam, contra apenas 1 americano e Howard, com 15 segundos por disputar. O árbitro achou que Howard não merecia encaixar o 3º e apitou para o final. Os Belgas nem protestaram. Atiraram-se ao chão, abraçaram-se aos americanos, o público aplaudiu, o Mundo aplaudiu e agradeceu por esta coisa tão linda.
E as questões tácticas do jogo? Deliciosas, também elas. Na minha opinião os belgas provaram hoje que os seus laterais, apesar de serem centrais adaptados, cumprem bem essa posição. Principalmente Vertonghen que foi muito importante nas manobras ofensivas da equipa, aproveitando o espaço que a equipa dos EUA oferecia por estar demasiado fechada ao meio. E De Bruyne? Absolutamente fenomenal. Depois deste jogo Mourinho deve ter deitado as mãos à cabeça por ter vendido o jogador ao Wolfsburgo. De Bruyne correu, fintou, rematou, assistiu, desmarcou e desmarcou-se, recuperou bolas, fechou linhas de passe... Olhem, no Championship Manager, era um 10 redondinho como nota no jogo. A Bélgica no seu sistema 4-2-3-1 criou inúmeros perigos aos EUA, estando sempre mais perto da vitória mas os EUA, jogando no mesmo sistema mas muito mais fechados no meio, também estiveram muito perto de alcançar o triunfo. Em particular Chris Wondolowski que aos 90 minutos poderia ter terminado o lindo sonho belga e alcançado os quartos de final. Foi por cima. Os EUA, extremamente bem orientados por Jurgen Klinsmann e moralizados com a exibição do seu guardião, foram um digno vencido e uma equipa que deixa saudades e boas recordações para o futuro. Agora vamos todos torcer pela Bélgica frente à Argentina, a bem do futebol, ok?
 
 

10 comentários:

  1. Brasil - Chile: O Scolari à imagem de Paulo Bento mas com resultados e exibições qb. Tem resultado porque lá vão rezando aos santinhos todos, se não, o mundial acabava já e começavam as manifestações, seria o descalabro total! Mais a sério, não percebo como é que o Scolari ainda não mudou a equipa! Sinceramente deve estar a ver até quando é que o cócó dura.

    Colombia - Uruguai: Nada a dizer, Colombia para mim era favorita a vencer o jogo e agora é uma das favoritas a vencer o torneio. Uruguai sem Suarez é pouco.

    Holanda - México: Acreditava no empate mas não na reviravolta, aliás com justiça tinha existido o prolongamento, aquele Robben enfim...bom rapaz, joga bem e sempre gostei dele (teatros à parte). Van Gaal vai trazer muita coisa boa ao United

    Costa Rica - Grécia: Os gregos tem lá jogadores porreiros, Samaras por exemplo merecia uma selecção como a nossa. Mas uma coisa são jogadores gregos e outra é a selecção, como tal, gostei da eleiminação. Esforçaram-se mas atacar não é com eles, especialmente quando se tem a surpresa da prova à frente que por acaso sabe defender/atacar e bem!

    França - Nigéria: Para mim os favoritos. Tem uma opção para cada lugar, tem plano B e C e um treinador que controla as vedetas e está sem Ribery e sem Nasri. Exibição qb a justificar a vitória. Mas ficava bem um 2-1, gostei da Nigéria e merecia um golinho para assustar os franceses. Boa equipa, sem uma super estrela consegue aproveitar as individualidades em prol do colectivo. Há plano de jogo, cada um sabe o que deve fazer e jogam com (muita) calma sempre a pensarem no jogo. Mostraram que há qualidade em África. Para mim, justifica o titulo de campeã africana.

    Alemanha-Argelia: Slimani!!! Que jogador! Muita raça e entrega, não acho que seja assim tão tosco, sabe jogar ao primeiro todo e corre muito. Fehgouli? Outra máquina, enquanto deu, era o melhor em campo. Equipa séria, enquanto houve energia conseguiu disputar o jogo!A sério, torci mais pela Argélia quase como se de Portugal se tratasse. O jogo serviu para mostrar que a Alemanha não era aquele bicho de 7 cabeças que nos deu 4 salsichas. Bom jogo

    Argentina- Suiça: Sabella ahah que ganda burro. Não levou Tevez e agora dava jeito, sem Aguero. Higuain não me convence e Pallacio tambem não. Porque não jogar de outra forma? É óbvio não é? Não, para esse homem tá tudo na boa. Dá pena, dá Deus nozes a quem não tem dentes.

    Belgica-USA: Ponto numero 1: Querem condição fisica numa equipa? Levem um americano. Aquela equipa, tem um trunfo. Estão todos em óptimas condições fisicas e a mim cheira-me que é a cultura americana do Desporto. Tive a discutir isso durante o jogo, são atletas de alta competição e são levados como tal. Não há estrelas, há atletas profissionais. Podem dizer soccer, mas ensinaram que estão a aprender e bem o que é o futebol. Palavra para o Tim, se houver uma estátua, eu contribuo. Bélgica, bom jogo, gostei do De Bruyne pela primeira vez. Fellaini por mim continua a sair do 11 apesar do bom jogo. Hazard, as vezes sim e outras não quer saber do jogo. Quero ver contra a Argentina, por mim partem em vantagem, de seu nome Courtois.

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    1. Concordo ponto por ponto... Também achava que a França era dos principais favoritos mas a Alemanha foi brutal agora nos 4ºs.

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  2. Caro, AVB, aprende-se aqui mais de bola do q a assistir ao Diário do Mundial. As tuas crónicas são imperdíveis. Fé na buja e penalty prá Holanda.

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    1. Eu não paguei a este rapaz um prato de caracois e 1 imperial para ele escrever isto! Obrigado, Lopes! Abraço

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  3. Que grande post! Ainda nem o li, vou guardá-lo p/ amanhã pela fresca :), mas o meu obrigado desde já!

    Um abraço, Miguel

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  4. grande artigo!Parabens! E grande blog!
    Só uma nota, o Seleccionador Suiço é bicampeão europeu, 1x pelo Dortmund e outra pelo Bayern, sendo tambem o infeliz que assistiu à épica reviravolta do MUnited em 1999...um grande abraço

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    1. Bem lembrado, caro anónimo! Só me recordava da final dele com o Valencia do Aimar e Zahovic, afinal também ganhou essa do Dortmund à Juventus. E que grande Dortmund com Mohler e Chapuisat (mais a ovelha negra P.Sousa)... Abraço

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