quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Meanwhile In... #3

Iémen - Em ano de eleições no país estalou um conflito grave entre grupos rebeldes houthi (xiitas) e hashid (tribos sunitas e islâmicos salafistas). Os confrontos agravaram-se - depois do mediador do conflito ter abandonado o barco - e chegaram à capital Sana'a neste mês. Ontem, no sul do Iémen, houve um ataque às forças governamentais, o que se espera que venha a agravar ainda mais o conflito num país que nos anos 90 estava dividido em 2. No Iémen do Sul, com forte presença de grupos da jihad (Al Qaeda incluída) cresce um interesse separatista que pode provocar nova divisão com fronteira no Iémen. O futebol? Amigos, o futebol continua como se nada fosse. O Al-Saqr de Ta'izz, cidade a 1400 metros de altitude no sul do Iémen (perto do Mar Vermelho), comanda o campeonato sem derrotas, só encontrando rival no Al Ahli de Sana'a, que também segue sem derrotas na perseguição aos rivais do sul. Os 2ºs classificados estão todos contentes por terem conseguido contratar o bósnio Adis Hadzanovic, de 21 anos, que jogava no Nomme Kalju da Estónia.


Síria - Guerra civil entre as forças governamentais de Bashar Al-Assad e os rebeldes da oposição ou apenas uma peça no tabuleiro de xadrez que é a geopolítica mundial? Com pouco petróleo na Síria o que leva os EUA a patrocinar os rebeldes? Será pela pena que sentem pelas crianças e mulheres que morrem? Não, a Síria está no berço da humanidade, entre o Mar Mediterrâneo e o Iraque. Bashar Al-Assad apoia o Irão e compra armas à Rússia. Pode ser este o motivo. Há poucos dias surgiram notícias de que o governo bombardeara uma cidade perto da fronteira com o Líbano o que fez com que muitos civis tivessem que atravessar a fronteira para escapar ao fogo das forças governamentais. Perto da Turquia, em Aleppo, os rebeldes continuam a tentar libertar presos políticos e a alvejar edifícios ligados ao governo. Alheio a tudo isto está o futebol. A equipa de Aleppo, o Al Ittihad, recebeu o Al Taliya de Damasco e perdeu por 1-0. Vejam só a maravilha que é o Estádio Internacional de Aleppo no vídeo:



Myanmar - Na Birmânia (ou Myanmar, como preferirem) vive-se um dos maiores dramas do globo. O governo decidiu construir uma barragem que vai fazer com que várias vilas no estado de Kachin (norte do país) desapareçam. Ora, no século passado lutou-se até 1994 pela independência de Kachin e a ditadura militar que se vive actualmente na Birmânia achou que o melhor sítio para alagar seria precisamente este estado. Resultado? Guerra civil. O governo birmanês, com muito mais meios (leia-se abastecidos até às orelhas com armas dos chineses) do que os KIA (Kachin Independence Army), tem massacrado o povo deste estado e tem tentado pulverizar a resistência, tudo em prol dos interesses dos chineses no controlo dos recursos da região. Alheio a isto tudo? Claro! O futebol. O maior clube de Kachin, o Manaw Myey FC, joga amanhã na capital da Birmânia contra o Nay Pyi Taw. Nos jogos em casa, o Manaw Myey tem que ir jogar ao YTC Stadium em Yangon, no sul do país.



Ucrânia - A espiral de violência continua e já não se observa apenas em Kiev. O exército parece estar na iminência de intervir, já que os manifestantes conseguem várias "vitórias" sobre o governo e a polícia revela-se incapaz de travar o movimento anti-Ianukovich. Mais uma vez observamos um braço de ferro entre a Rússia e o Ocidente. O que nos choca, provavelmente, é a proximidade da Ucrânia relativamente ao coração da Europa. Pensar nas consequências, nas causas e conspirar em torno dos porquês. O futebol? O futebol está de férias... Ou não. O jogo entre o Dinamo de Kiev e o Valencia, marcado para hoje, vai ser disputado no Chipre. O Dnipro receberá o Tottenham em sua casa mesmo apesar de vários protestantes terem atacado recentemente edifícios governamentais em Dnipropetrovsk. Quanto ao Chernomorets, em iguais circunstâncias, receberá também na sua casa em Odessa o Lyon. O campeonato ucraniano regressará no final do mês e falta pouco mais de uma semana para o estrondoso Dinamo de Kiev vs Shaktar Donetsk. Há um mês aconteceu isto no exterior do estádio Valeriy Lobanovskyi, casa do Dinamo:



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