domingo, 5 de janeiro de 2014

Sou o Eusébio

Quando eu era pequenino tinha um quintal na casa dos meus pais. Nesse quintal tinha uma bola e um avô. Eu chateava o meu avô todos os dias para jogar nem que fossem só 5 minutos comigo. Preparava-me o dia todo para aqueles 5 minutos. Chutava a bola contra a parede e a seguir atirava-me para o chão para defender a minha bola. Eram os meus treinos. Ia ao quarto e recortava o emblema da federação sueca de futebol para dizer ao meu avô que hoje ia ser o Ravelli. Noutros dias era o Jorge Campos com o emblema do México. Preparava-me horas para ser um GR à altura. Recortava o emblema das federações e colava-o com fita-cola à camisola. Era coisa para aguentar uns 2 minutos na camisola enquanto o meu avô disparava bujas que me deixavam as mãos a arder. Ele nunca precisava de emblemas porque já o tinha por dentro da pele.

- Quem és hoje, avô?
- Sou o Eusébio


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