terça-feira, 26 de novembro de 2013

EUROPA, Fase de Grupos, 5ª Jornada



Porto 1-1 Austria de Viena - Quinaste, Porto. E enquanto o Kienast os quinava, quinando um pouco estava Manuel Queiroz na sua TVI; "Isto ´tá bonito!", dizia, enquanto os adeptos sacavam do assobio pela 31233ª vez. Mas nem tudo são más notícias neste jogo. Paulo Bento viu os seus dois meninos, Licá e Josué, a justificar mais uma vez a chamada à selecção nacional. Aliás, bastou Paulo Bento vir a público dizer que já está com o pito aos saltos por poder chamar o Fernando, que se viu logo o polvo a fazer uma das melhores exibições da época, do ponto de vista de um Costinha. Mas isto tem tudo uma explicação e não, não é a selecção nacional! Quando o Atlético de Madrid consegue o empate em São Petersburgo, Paulo Fonseca disse logo para os seus botões "tu queres ver que eu passo o grupo da champignons e o Natal em 1º no campeonato e Nosso Senhor Pinto Cristo da Costa não me dá o cigano nem uma ou duas brasileira..., ai, nem um ou dois brasileiros ali para o lado do Zué?"

Anderlecht 2-3 Benfica Ena pá que grande ponta de lança que o Benfica foi contratar neste mercado de verão, o Pongolle. Que sonho poder ter um jogador deste calibre ali a jogar ao lado do birrinhas e do Gaitan. Contei pelo menos uns dois passes bem feitos do Pongolle na direcção de jogadores mais recuados no terreno. Que categoria. Também gostei da nova filosofia do Jesus para este jogo: "Jogador que está bem é o que mexemos" e toca de tirar o Gaitan para meter o Sulejmani! Muito bom. Também gostei das substituições aos oitenta e muitos. Toda a gente sabe que o primeiro milho é para os pardais e realmente confirmou-se. Sorte? Mas qual sorte! Saber jogar. Mudança de filosofia e mentalidade. Inventar e ganhar. Eu escrevi inventar? Estudar! Estudar! Isto foi tudo estudado!

Paços de Ferreira 0-0 Fiorentina - Na capital do móvel não havia um sofá ou umas cadeiras para meter no centro do relvado? É que mais valia terem ficado todos sentados a não estragar mais o bom nome do Sr Futebol. Podiam meter o Bebé a fazer de mesa como castigo para aquele falhanço hilariante no início do jogo e jogar uma bisca. É que futebol aqui pouco ou nada se viu, tirando algum espectáculo dos GR. O falhanço do Bebé pode-se considerar uma arte circense! Foi espectáculo também. O Paços de Ferreira foi o bebé embalado pela mãezinha Fiorentina, deixou-se ir na cantiga e não saiu do berço. De qualquer forma, contra um 11 milionário da Fiorentina, acaba por ser um bom resultado.

Sevilha 1-1 Estoril - O Estoril era virgem na Europa. Está tudo explicado. Raro foi o jogo em que o Estoril não entrou intranquilo em campo, com a sensação de que a Liga Europa era areia a mais para a camioneta deles. Vamos lá a ver as coisas tal como elas são. O Estoril não foi inferior a nenhuma equipa deste grupo, nem ao Sevilha, muito menos ao Slovan Liberec ou ao Friburgo. A falta de maturidade europeia, essa sim, ditou a exclusão. Basta verem o amadorismo com que a equipa festeja no balneário a esperança de apuramento...
Quanto ao jogo em si dois factores chave para mim: Reyes e Evandro. O Reyes continua a ser um jogador brutal e ontem o Sevilha foi Reyes e + 10. No lado do Estoril, foi muita equipa para pouco Evandro. Com um pouco mais de Evandro, na minha opinião, a vitória teria sido possível. 

Rijeka 0-0 Vitória Guimarães - O salário mínimo na Croácia ronda os 400€. Sabem quanto custam normalmente os bilhetes mais baratos para os jogos do Rijeka? 1€. Leram bem: 1€ (10 kunas). Viram como estava o estádio? Cheio. O público ganha rotinas de ir à bola e o estádio enche. O espectáculo fica mais bonito. Claro que os dirigentes em Portugal é que são os génios, desde que sobre para almoçaradas está tudo bem.
Este jogo foi mais do mesmo no Guimarães. Se pudessemos juntar a defesa do Guimarães ao ataque do Estoril tínhamos equipa para passar os grupos, assim temos mais uma equipa eliminada a juntar às outras duas. Este ano Portugal não tem razões para sorrir na Europa do futebol.

11 Pé de Barrote Nº10

Equipamento em homenagem ao Tottenham do Vilas Boas e o seu Six & the City. Não tem nada a ver o equipamento? Azar, era o mais próximo. Este foi um especial que eu fiz para o Ginola, aguentem-se.

No 11 foi com muita pena que deixei de fora o Sr Abdoulaye e a sua assitência para o Slimani, mas como o rapaz até fez um jogo decente, poupei-o. Foi com muita pena que deixei de fora o Sr Siqueira e o Sr Cedric. Foi com pena que deixei também o Sr André Martins, Ruben Micael, David Simão, Djuricic ou Danielsson.  Na frente ficaram de fora deste 11, jogadores como Montero, Markovic, Josué, Licá, Rafa, etc...
Sabem porquê? Porque estas meninas precisam de moral. Todas as semanas chegar à internet, abrir o bujas e ver aqui o nome deles não deve ser fácil. Eu se visse o meu nome no 11 Pé de Barrote com que vontade acordava no dia a seguir? Imaginem só: Yolanda (GR). É duro.

(Uma última palavra para o extraordinário par de jarras que joga no meio-campo do Olhanense: Lucas e Celestino. Um dia quando eu for muito muito rico vou comprar umas jarras assim lá para casa e meto-lhes umas rosas na boca ou um pinheiro).

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

10ª Jornada 2013/14

Benfica 1-0 Braga - Já a formiga tem catarro! O menino Markovic todo constipadinho depois de uma exibição patética dele e do seu amigo Djuricic. Ai a culpa é do Jesus que o encosta à ala? Realmente o Jesus tem cá uma culpa dos passes para o Sr Pontapé de Baliza que é obra. O fórmula 1 Markovic que sente o seu Sr Rabo nas boxes e o triciclo Djuricic que vá aprender a jogar à bola para a equipa B. Já agora dêem-lhe umas figuras geométricas daquelas de encaixar e uns cubos com letras para ele se entreter, porque o futebol parece que o aborrece. O Braga não merecia ter saído da Luz com a derrota e só não sai com pontos porque Rafa e Alan não conseguiram acompanhar a exibição do tanque Éder na frente. Ruben Micael foi mais do mesmo. Do lado do Benfica, Enzo rebentou cedo no jogo, Matic voltou às boas exibições e Siqueira faz mais um jogo sem conseguir ir ao último terço do terreno. Estou a pensar pedir para instalarem uma guita na linha de fundo atada à cintura do Siqueira e um gajo vai puxando quando for preciso.

Porto 1-1 Nacional - 77% de posse de bola. 30 remates. 17 cantos. Caudal ofensivo maior só quando os adeptos do Porto sacaram do lenço branco da punheta no final do jogo. O Josué olhava aparvalhado para as bancadas. Os adeptos estavam-lhe a dar resposta aos piretes que tinha andado a fazer ultimamente. Aliás, este jogo o que teve mais mesmo foram piretes. O Mexer gigantezão a central? Pirete! O Gottardi a voar entre os postes? Pirete! O Licá e o Ricardo a extremos no FCP? Pirete!
Um bocado mais a sério, a 1ª parte do Porto foi, entre os 3 grandes, o melhor futebol da jornada. Nem vou falar na ausência de Moutinho porque uma equipa que faz a posse que o Porto fez não está de certeza a notar a ausência de Moutinho aqui. Acho que é mais o que o Josué não faz nas alas e as alternativas que o Porto não tem no banco para o ataque. Quem empatou este jogo não foi Rondon, foi Gottardi. 

Vitória de Guimarães 0-1 Sporting - Uma das piores exibições da época para os rapazes de Alvalade e mais um galo para os de Guimarães ao cair do pano. Rui Vitória foi para este jogo com um meio campo de combate. Barrientos e Tomané completavam o trabalho de André André, André Santos e Leonel Olimpio. O Sporting pouco ou nada se viu. André Martins não aparecia em jogo e o Adrien andou mais em tarefas defensivas do que em apoio ao ataque, com o William Carvalho a fazer um jogo um pouco abaixo do normal. O Guimarães, fruto do seu principal problema da época - falta de qualidade no último terço, Maazou só não chega - não resolveu o jogo em seu favor e Slimani, talismã de Jardim, aproveitou uma dádiva de Abdoulaye para estabelecer o resultado final. 

Rio Ave 0-2 Estoril - Ele sofre falta. Ele marca o livre. Ele protesta. Ele simula. Ele leva amarelo por simular. Ele diz que sim ao árbitro. Ele levanta-se. Ele desmarca-se. Ele corre. Ele chuta. Ele passa. Ele finta o guarda-redes. Ele marca golo. Ele é Luís Leal. Quem viu esta seca de jogo não se vai lembrar sequer do erro do Vilas Boas que praticamente ofereceu o 0-2 ao Estoril. Não se vai lembrar do monstro Tarantini que parece omnipresente em campo. Não se vai lembrar do modo Chipre do Ukra ou Braga. Vai-se lembrar do Luis Leal e dos dois golões que marcou.
só é pena que no final do jogo o Luis Leal tenha vindo cagar na boca de quem lhe paga ordenado para falar já em mudança de clube em Janeiro. Na última jornada, contra o Setúbal, quando ele falhou golos atrás de golos de forma patética não o ouvimos pedir "o salto"

Paços de Ferreira 1-0 Belenenses - Mas que seca de jogo oub'lá. Levantei a sobrancelha para este jogador que marcou o golo da vitória, o Fernando Neto. Formado no Fluminense, ao que consta fez boa pré-época no Paços mas depois não sei por que raio o Costinha nunca o meteu a jogar. Lesão ou opção? Não sei. Parece ter bom pé esquerdo o puto e realmente prova que o principal problema do Paços não são as opções para o meio campo e ataque, mas sim a defesa. Quanto ao Belenenses, quando o Tiago Silva foi substituído e sem Miguel Rosa em campo eu vi logo que ia ser um sofrimento para eles criarem chances. A equipa sem Rosa ou Tiago Silva ganha dimensão de 2ª liga.

Marítimo 3-2 Gil Vicente - Buja do Alex Soares e Marítimo finalmente de regresso às vitórias. Adivinhem? Briguel no banco, Marcio Rozario nem convocado foi! O Pedro Martins sabe muito bem que o problema do seu Marítimo não reside no ataque e então começou a mexer os cordelinhos lá mais atrás. Gegé, apesar de não me parecer nada de especial, melhor que o Márcio Rozário deve ser. João Diogo é um lateral muito limitado mas parece-me ter mais cabecinha (e pernas) que o Briguel. As coisas neste jogo resultaram e, não fosse a chouriçada do Peixoto para dentro da baliza, a vitória teria sido muito mais confortável.

Vitória de Setúbal 1-0 Arouca - O Ruben Vezo está com tanta pressa para ir para o Valência que achou que 50 minutos neste jogo estava bom! Pudera, por cada mês a ser treinado pelo Couceiro deve ter medo de ficar mais próximo de um Paulo Madeira do que de um Cohene. Mesmo o Cohene, aos 26 anos, se calhar chega ao final da época a parecer o Anderson Polga! O Arouca a jogar contra 10 criou o mesmo perigo que um velhinho com alzheimer vos criaria no jogo do stop. Tacuarita faz o resultado. Couceiro: um! Pedro Emanuel: zero!

Olhanense 0-1 Académica - Derrota compreensível dos galácticos de Olhão. Não é fácil conjugar tantos internacionais e bons jogadores de tantas nacionalidades diferentes em tão pouco tempo! Hoje foi a estreia do Seric, um gajo que já jogou na Lazio com o Dino Baggio e que hoje joga no Olhanense com o Bigazzi! Jogou ao lado do Kroldrup que já jogou na Fiorentina com o Vieiri e que hoje joga no Olhanense com o Dionisi! É difícil, Paulo Alves, é difícil. Este jogo foi um jogo com muita qualidade a todos os níveis. Estiveram umas 100 pessoas ou mais no estádio a ver o par de jarras Celestino e Lucas no meio campo da Olhanense. Uns 20 adeptos da Académica a ver Ivanildo, Magique e Abdi, na frente da ataque, a responder sempre da melhor forma aos ataques do bombardeiro Djavan. Para terminar dizer que futebol é tão lindo, estes é que o vão destruindo.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Pontapé Canhão Nº3 - Erwin Sanchez

ERWIN SÁNCHEZ

Vivemos dias de decisões importantes no acesso ao Mundial 2014 no Brasil. Há mais de 20 anos atrás jogou-se o acesso a um dos mais míticos campeonatos mundiais de todos os tempos: USA'94. Na América do Sul, 4 tubarões mega favoritos: a Argentina de Maradona, o Brasil de Romário, a Colômbia de Valderrama e o Uruguai de Francescoli. Mas havia um pequeno país, entre os Andes e a Amazónia, que ousou sonhar. Foi a Bolívia de Erwin Sánchez! 




Golos do Sanchez: 0:35 / 2:35 / 4:05

No Mundial ninguém queria saber da Bolívia. Se forem maluquinhos por cadernetas de mundiais como eu, devem lembrar-se que havia selecções em que 1 jogador não merecia 1 cromo, havia selecções com 2 jogadores para 1 cromo. A Bolívia era uma dessas selecções e o Erwin Sánchez tinha que partilhar o seu espaço na eternidade com o SrWilliam Ramallo, jogador do Destroyers, na página 26 da caderneta.

3 jogos fez a selecção boliviana no World Cup 1994. Perdeu com a Alemanha de Lothar Matthaus por 1-0 (golo do carrasco Klinsmann), empatou a 0-0 com a Coreia do Sul de Kim Joo Sung e perdeu 3-1 com a Espanha de Salinas (golos do Guardiola e do Caminero). O único golo da Bolívia neste mundial? Primeiro e único golo da história da selecção em Mundiais? Erwin Sánchez, está claro! 


Sánchez aos 0:20 do vídeo

A maior glória ao serviço da selecção poderia ter sido alcançada em 1997, ano de Copa América no seu país natal. Depois de um galopante percurso até à final, nem uma potente buja de Sánchez a empatar o jogo antes do intervalo fez com que o Brasil deixasse de conquistar o troféu. Para terem uma ideia do poder da selecção brasileira neste ano, fiquem com o 11 inicial: Taffarel, Cafu, Aldair, Gonçalves, Roberto Carlos, Flávio Conceição, Dunga, Leonardo, Denilson, Edmundo e Ronaldo.

 Buja do Sánchez aos 30 segundos (ou então frango do Taffarel!)

Mas recuemos no tempo...

Sánchez formou-se no Club Destroyers da Bolívia, um clube de Santa Cruz, a maior cidade da Bolívia. Nesta mesma equipa jogava (para além do companheiro de caderneta Ramallo) o também ele mítico Marco Etcheverry, médio ofensivo da selecção boliviana, considerado um dos melhores jogadores de sempre do país. Este clube aguentou-se bem na 1ª divisão boliviana entre os anos 80 e 90, mas a passagem do milénio trouxe uma nova realidade ao clube e hoje em dia vagueiam pela 3ª divisão boliviana.
Deu nas vistas em Santa Cruz com 23 golos apontados ao serviço do Destroyers e o maior clube da Bolívia, o Bolívar, foi buscá-lo para jogar em La Paz. A ascensão foi meteórica. Em vez de jogar a 400 metros do chão, passou a jogar a 3500 metros do chão. Sánchez sentia-se no céu. Pudera...

Ah pensavam que ele se sentia no céu por jogar a 3500 metros de altitude? Não, nada disso. Sánchez sagrou-se campeão no seu ano de estreia em La Paz, ao serviço do Bolívar, depois de uma vitória por 3-0 contra o rival The Strongest. Eles lá na Bolívia não têm muito jeito para escolher nomes de equipas, não liguem!

Este sucesso todo fez com que o Sánchez fosse todo contente participar na Copa América em 1989, no Brasil, onde iria encontrar jogadores como Caniggia, Sensini, Francescoli ou Ruben Sosa. Apesar da Bolívia ter ficado em último lugar no grupo e do Sánchez ter dado pouco nas vistas, o Sven Goran Eriksson teve a lucidez suficiente para contratar para o Benfica um dos médios mais míticos que já passou pelo nosso campeonato!

Despedia-se, em 1990, da Bolívia. Portugal ansiava pelas suas bujas.

O Benfica tinha perdido a Taça dos Campeões Europeus para o Milan e o Eriksson queria alternativas para o Valdo/Pacheco/Paneira. O Diamatino e o Chalana tinham ido embora... Chegavam Sánchez e Isaías. A estratégia resulta e o Benfica recupera o título, Sánchez sagra-se campeão no seu ano de estreia, apesar de só ter alinhado em 8 jogos com a camisola berrante. Isaías afirma-se no Benfica enquanto Sánchez é dispensado para o Estoril.

Sánchez faz uma época muito boa no Estoril. Claro que numa equipa que conta com pontas de lança como o sueco Eskilsson (melhor penteado 80's a actuar em Portugal) ou o búlgaro Voynov, ou centrais como o Helder, a coisa torna-se fácil, mas mesmo sendo fácil, Sánchez agarra a titularidade e faz 8 golos no campeonato português, despertando a curiosidade no Manuel José e no Major Valentim, que precisavam de um virtuoso para assistir Artur, Ricky ou Marlon Brandão, no Boavista.

E aí foi Erwin Sánchez rumo ao Bessa. Rumo ao mítico Estádio do Bessa, lar da pantera!

Tardes de bola em que tinhas o rádio sintonizado em 89.5MHz com o Perestrelo eram uma maravilha.  
Ripa na rapaqueca! O que é que é isso ó meu? Tenta a revienga! Falta senhor árbitro. É livre! Livre para o Boavista! É Sánchez quem vai bater o livre! Tu tás maluco meu! Daí? Daí nem que o Jacaré tussa! AH-AH-AH! O qu'é qué isso ó meu? É go-lo, é go-lo, é-gol-é-gol-é-gol-ó. GOLO do Boavista!

O Jacaré tossia tantas vezes quando era o Sánchez a marcar. Bastava ele pegar na bola que qualquer adepto do clube rival do Boavista sentia um arrepio na espinha.




Em 92-93 Sánchez chegou tímido ao Boavista. Manuel José, tal como Sven Goran Eriksson, olhou desconfiado para o boliviano, astro num país sem expressão internacional e preferiu apostar em Rui Casaca, prata da casa. Demorou mais ou menos 1 época a transformar Sánchez no substituto de Casaca no clube e os resultados foram estrondosos.

Sánchez assume-se como a figura do Boavista nos anos seguintes. Bujas e mais bujas. Futebol duro, com raça, atitude e bujas, mais bujas e outras bujas. Sánchez aguentou a titularidade na chegada de Ion Timofte, craque romeno que vinha do Porto para dar concorrência a Sánchez. A concorrência era tanta que Timofte quando queria jogar tinha que encostar à esquerda. Sánchez viu nascer e partir Nuno Gomes, jogou com grandes pontas de lança como o Artur ou o Jimmy Floyd Hasselbaink. Jogou ao lado de médios como Tavares, Nelo, Rui Bento ou o todo poderoso "El Ceifeiro" Bobó. Na baliza viu nascer Ricardo (o voz de clarinete) e viu reinar Alfredo. Na defesa jogou com Nogueira, Pedro Barny, Caetano, Litos, Pedro Emanuel, Jaime Alves, Abazi, Paulo Sousa, etc... Este Boavista dos anos 90 era de facto poderoso. Dá saudades só de pensar no estádio do Bessa.

A glória de Sánchez chega finalmente no dia 10 de Junho de 1997, dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Local? Estádio do Jamor. Final da Taça de Portugal contra o Benfica de Preud'Homme e João Vieira Pinto, treinado por - ironia das ironias - Manuel José, o treinador que arquitectara este Boavista dos anos 90. Ricardo na baliza. Paulo Sousa a lateral direito, Isaías e Litos centrais, Mário Silva lateral esquerdo. Rui Bento e Tavares os trabalhadores. Helder na direita, Sánchez ao meio, Simic na esquerda. Nuno Gomes. A buja de Sánchez no 1-0 é uma alfinetada no pâncreas de qualquer benfiquista que se preze.



Sánchez começou no Jamor a fazer a cama ao treinador que o lançou. Manuel José teve que o ir buscar ao Bessa, juntamente com o Nuno Gomes, para ver se começava a compor as coisas no Benfica, mas não era fácil. Na defesa jogadores como Sousa ou El-Hadrioui punham os nervos à flor da pele a qualquer um. A derrota por 3-1 no estádio dos Arcos foi a gota de água e Manuel José ficava desempregado. Sánchez não lhe servia de muito. Com Mário Wilson chegavam a jogar 4 centrais ou 2 laterais esquerdos em simultâneo. O que é certo é que Sánchez foi-se aguentando até que... Souness chega. Souness era uma figura peculiar. Queria tudo muito disciplinado, tudo muito objectivo, 4-4-2 britânico, usar número 10 eram modernices. O Benfica tinha demasiados sul-americanos com sangue que fervia facilmente. Ficou o Ronaldo Guiaro, central cepo e o resto foi-se tudo embora. Incluindo o Sánchez. Ficámos com um Benfica luso anglo-saxónico e o Sánchez regressou à sua casa, por empréstimo, ao Boavistão de Jaime Pacheco.



Em 1998/99 Timofte levou a melhor e foi o Sánchez quem sentou o rabo no banco. Curiosamente, o Boavista de Sánchez consegue ficar à frente do Benfica de Souness no campeonato. As sopas de cavalo cansado de Jaime Pacheco muito mais fortes que o bacon & eggs de Souness, colocam o Boavista num surpreendente 2º lugar. Eram horas de Sánchez regressar a Lisboa, a um novo Benfica em construção, ao Benfica de Jupp Heynckes. Mas Heynckes preferia Chano a Sánchez e Tote a João Vieira Pinto. São escolhas. Sánchez, ao contrário de João Vieira Pinto, não rescinde, vai para a equipa B arrastar-se com jogadores como Michael Thomas, Cláudio Oeiras (acabou carreira no ano passado ao serviço do Pêro Pinheiro), Moreira e Jorge Ribeiro.

 O Boavista de Jaime Pacheco, em Janeiro, resgata Sánchez mais uma vez. Era um atentado ao futebol ver um jogador assim jogar na 2ª Divisão B. Assume a titularidade e aquece as chuteiras para o que aí vinha... A gloriosa época de 2000/01.

Sánchez campeão nacional em Portugal outra vez! Depois de tantas bujas, o talento era recompensado. Boavista, com ou sem corrupção, vencia o primeiro título de campeão nacional da sua história. Sánchez fazia parelha no meio campo com Rui Bento e Petit e foi decisivo em vários jogos do campeonato com os seus 8 golos, sendo um deles o tento da vitória contra o Beira-Mar, no Bessa. No jogo do título o futebol de Sánchez foi mais uma vez decisivo. Uma buja do Sánchez com um desvio do Elpídio Silva desbloqueava o difícil 0-0 e o Boavista partia para a mais gloriosa vitória da sua história. O eterno 3-0 de Jaime Pacheco ao Desportivo das Aves do Professor Neca, com Carlos Carvalhal a adjunto!


Em 2001/02 Sánchez voltou a provar que a época anterior não tinha sido obra do acaso. Um Boavistão europeu faz um percurso bombástico na Liga dos Campeões. Lembram-se quando a Liga dos Campeões tinha 2 fases de grupos? Pois é, este modelo patético que pouco durou sorteou na 1ª fase de grupos o campeão Boavista com Borussia de Dortmund, Dinamo Kiev e Liverpool. Imaginem só se hoje em dia o Porto ou o Benfica caíssem num grupo destes... O Boavista passou este grupo em 2º lugar, amigos, à frente do Dortmund, conseguindo 2 empates 1-1 contra o Liverpool. Depois na 2ª fase, apanha no grupo o Man Utd de Beckham, Giggs e Nistelrooy, o Bayern Munique do Elber e o Nantes, campeão francês, arrumado para o último lugar do grupo, tendo o Boavista conseguido um honroso 3º lugar nesta fase. O Sánchez? O Sánchez é ver para crer, logo no início do vídeo... Palavras para quê?



Em Janeiro de 2003, depois de iniciar a época como titular no Boavista de Jaime Pacheco, que chega às meias-finais da Taça UEFA (eliminado pelo Celtic), uma lesão no joelho põe fim à carreira de Erwin Sánchez como jogador em Portugal. Ficando no plantel, é ele quem assume as rédeas da equipa quando Jaime Pacheco sai para o Maiorca... Saltou do departamento médico para o banco com a braçadeira de treinador. Foi difícil, Sánchez era muito criticado, mas mesmo assim conseguiu aguentar quase até ao final do campeonato no comando técnico da equipa, a treinar cepos como Jocivalter, Macanga ou Márcio Mexirica. Um empate com o Paços ditou o seu despedimento.

Com o despedimento, Sánchez resolve continuar a sua vida enquanto jogador de futebol, mas as coisas já não corriam como antigamente. Na Bolívia, agora no Oriente Petrolero, a sua personalidade (e testa) forte metem um árbitro KO na sequência de uma cabeçada num jogo do seu clube contra o Blooming. Estala o escândalo, Sánchez manda toda a gente à fava e nem comparece no tribunal para responder pela agressão. É suspenso por 18 meses e a sua carreira acaba assim. Merecia mais. Mas o herói continuava lá. A Bolívia continuava a respeitar o seu passado, mas os tempos de jogador tinham terminado. Era hora de assumir a selecção boliviana e tentar levá-la ao Mundial 2010 na África do Sul. Sánchez não encontrou o caminho para África. Regressa ao Oriente Petrolero enquanto treinador e as coisas continuavam a não lhe correr bem. Primeiro, o azar mais uma vez a bater à porta e os troféus conquistados ao longo da carreira saem literalmente chamuscados num incêndio numa propriedade sua. Por último, mais uma vez a fazer das suas, Sánchez manda todos à merda depois de se sentir injustiçado pela arbitragem, outra vez, num clássico contra o Blooming...



Para terminar em beleza, ou não, Sánchez foi há poucos meses condenado a 2 anos de prisão depois de falcatruas na aquisição de uma casa. Coitado, só queria uma casa para a reforma... De 400mil dólares...

Vou tentar descobrir a morada da prisão para lhe enviar uns chocolates pelo Natal. Espero que vocês, no mínimo, façam o mesmo.


PS: Estás aí a choramingar de como é que num post deste tamanho eu não menciono a alcunha "Platini da Bolívia"? Porque o sonho do Platini era ser chamado de "Sánchez da França". O Platini que vá para o caralho!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Chico Modinhas Anti Selecção


Esta é uma foto do Chico Modinhas. Aquele pessoal que vai ao Milhões de Festa curtir um granda psicadélico sem nunca ter ouvido o Dark Side of the Moon duma ponta à outra. São bué do surrealismo, tasjaber, fundo do Windows com Margritte e se lhes perguntarem e derem 5 minutos para irem ao google, já leram todos os livros do Book Depository e contam-vos a sinopse. 

Os hipsters do futebol é que são uma raça da qual ninguém falou.

O hipster do futebol tem o seu football manager. Se for benfiquista, esse hipster é a favor da venda do Artur, Luisão, Maxi ou Cardozo para dar oportunidades ao Bernardo Silva, ao Mitrovic, ao Cancelo e ao mosqueteiro da equipa B, o Harramiz. Em todas as alturas de mercado, o hipster entra em acção e apresenta uns quantos nomes que acha que o seu clube deve pirilar. Quando o Freddy Adu assinou pelo Benfica, o hipster foi ao restaurante de Sushi mais próximo e na loucura enfardou 3 caixas para celebrar. Depois passou a noite toda na casa de banho a meter os dedos na goela para não engordar.

Está na moda não gostar da selecção nacional. Eu também já fui assim, admito, fazia-me confusão ver o Liedson ou o Deco com a camisola da selecção e então pura e simplesmente ignorava os jogos da selecção até às fases finais. Depois rejubilava, gritava os golos na mesma, mas era uma sensação estranha e hipócrita, tendo em conta que sempre que tinha oportunidade, falava mal da nossa selecção.
A selecção tem uma data de podres a começar no seu presidente Nandinho das Facturas, passando pelos lobbies dos empresários e acabando no Ruben Micael. Concordo plenamente. É triste ver a selecção com aquele pateta a titular. Muito triste, admito.

Cheguei há coisa de um ano à conclusão que estava a ser um grande pateta. Numa epifania ao nível da que o Sporting teve com o Godinho Lopes, percebi que estava a ser, mais uma vez, hipócrita. Porquê? Eu sou benfiquista. O que é que isso tem a ver? Passo a explicar...

No Benfica o presidente Vieira é um trafulha. Faz milhões à custa do clube com as suas empresas de construção. Manda jogadores emprestados para poder participar nas obras do estádio do clube que acolhe os jogadores. Compra jogadores de qualidade mais que duvidosa, que fazem com que os melhores jogadores muitas vezes tenham que ser vendidos por precisar de dinheiro e que fazem com que os jovens mais talentosos da academia muitas vezes não possam despontar na equipa principal. Manipula os estatutos do clube em seu favor. As assembleias são uma palhaçada com ele ao telemóvel. Enfim, podia estar aqui a enumerar vierices até ser segunda-feira.

O Vieira faz o Benfica? Não. Eu continuo a gostar do Benfica. Continuei a gostar do Benfica na altura do Vale e Azevedo. Continuei a gostar do Benfica com o Jorge ou José Soares a titular. Continuei e continuarei a gostar do Benfica sempre...

No Porto e no Sporting é igual. No Porto ninguém deixa de ser do Porto mesmo tendo o clube um presidente trafulha. No Sporting, nem com o Godinho Lopes ao comando os adeptos abandonaram o clube.

Então, caros amigos, expliquem-me, porque é que vocês (ou eu) um dia deixaram de apoiar a selecção? Porque são estúpidos. Eu fui estúpido e entretanto fez-se luz - a Luz é tão bonita, tanto cimento nunca fez tanto sentido. Se permitimos tudo e mais alguma coisa ao nosso clube, temos que permitir a mesma coisa à nossa selecção e apoiá-los mesmo sendo a federação uma esterqueira imensa, mesmo tendo que gramar com o Ruben Micael ou com outros quantos ódios de estimação que tenhamos a titulares, mesmo tendo que gramar com uma família de avecs a gritar nas bancadas "Jean Michel vien ici arrete" enquanto vos derrama com as pipocas e a coca-cola para cima. 

Toca de ganhar à Suécia. Quero ver-vos a gritar GOOOOOOOOOLOOOOOOOOOOOOOOOO da selecção hoje. Um abraço e Viva Portugal!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A Constatação do Óbvio

Os adeptos dos clubes portugueses NÃO GOSTAM de futebol

Não vem mal ao mundo pelo facto do típico adepto de futebol em Portugal só conhecer o 11 inicial da sua equipa e mais meia dúzia de jogadores dos seus rivais. Eu posso não ser um profundo conhecedor de jazz e conseguir, no entanto, reconhecer a beleza nas melodias dum Coltrane ou dum Pat Metheny num bar de jazz perdido no Bairro Alto. Não vem mal ao mundo pelo facto do típico adepto de futebol em Portugal não saber distinguir um 4-3-3 de um 4-2-3-1. Serei feliz indo todas as semanas ao cinema sem nunca ter visto em toda a minha vida um único filme de David Lynch. 

É possível gostar sem compreender. Compreender, sem gosto ou interesse, é possível mas mais difícil.
 
A norte, no Porto, construiu-se um clube de dimensão mundial com alicerces mentirosos. Mudou-se a data da fundação, abriu-se uma guerra com o Benfica - clube que até participara na inauguração do estádio das Antas -, montou-se uma gigantesca teia de influências que controlava tudo, desde a polícia ao homem que enfiava o apito na boca, passando por treinadores, jogadores e presidentes de outros clubes. A história já é conhecida. O processo já foi encerrado. O clube foi condenado e nem se preocupou com isso. Mas vamos ao que interessa de facto. Como reagiram os adeptos? 
Para eles estava tudo bem porque continuavam a ganhar. Para os portistas, vergonha seria não ganhar, ganhar com batota é sinal de matreirice, de inteligência ou esperteza. Para desculpar anos e anos de vergonha, inventaram-se histórias e casos sobre o Benfica. Clube do regime, calabote e mais umas quantas fantasias eram usadas como desculpa para toda a nojeira que vem acontecendo desde os anos 80. Os portistas vivem bem com isto. Ganham. O futebol não conta. O que conta é a palavra do Sr Dr Juíz do Tribunal da Comarca do Porto. 

Ainda a norte surgiu o Braga. Clube que se ergue à sombra do seu mentor António Salvador. Salvador aproveitou as boas relações com o Porto, algo que já tinha sido conseguido pela família Loureiro com o Boavista e o Braga consegue durante alguns anos tornar-se na 3ª maior potência do futebol português. Como? Mais uma vez, abrindo uma guerra com o Sul. Benfica e Sporting na mira. Deixava de ser seguro um adepto benfiquista ou sportinguista deslocarem-se ao estádio do Braga para ver o seu clube. Os mouros vinham aí. A hora não era de futebol, era de guerra norte-sul. Mais recentemente a estupidez estravazou e até os adeptos portistas começaram a entrar na mira dos bracarenses. O mote já não era a guerra norte-sul, o mote agora era "para sermos clube grande, temos que odiar todos os nossos rivais".

O Guimarães é igual com uma pequena grande diferença... Em Guimarães todos os rivais são tratados por igual. Em Guimarães gosta-se do Vitória e ponto final. Mas a mesma ideia bracarense mora lá. Para o Vitória ser grande, tem que odiar todos por igual. Ódio. Ódio. Mais ódio. 

Nos benfiquistas o futebol também passa ao lado. A patetice do número de sócios no guinness não chega nem para encher metade do estádio. Os benfiquistas vão ao estádio para ver o Benfica ganhar, nunca para ver o Benfica jogar. Quando o Benfica não ganha, o benfiquista fica em casa. Quando o Benfica ganha, diminui-se o adversário e na semana seguinte talvez se vá ao estádio. Goza-se com o Sporting semanas a fio depois de um épico 4-3, diz-se "também... Contra o X era melhor..." quando se ganha a uma equipa qualquer da 1ª divisão. Para o benfiquista, o Benfica nunca joga contra equipas de futebol. O Benfica joga sempre contra uma espécie de equipa estéril que deve entrar em campo para servir com reverência o Benfica. Quando correm um bocadinho mais diz-se logo "contra o Porto não correm eles assim". Quando se perde a culpa ou é do Jesus ou do árbitro. Para o benfiquista é impossível existir uma coisa tão simples quanto o futebol no relvado porque o benfiquista não percebe o que se passa no relvado.

Nos sportinguistas o caso é complexo. É o clube em Portugal que neste momento tem melhores condições para jogar o jogo pelo jogo. Jogar o futebol como antigamente. Amor à camisola. Não tem a pressão de ter que ser campeão. Mas os tempos são outros. Em 2013 estes putos do Sporting podem já estar todos com a cabeça no próximo clube. Os adeptos continuam como antigamente. Desde que não ganhe o Benfica está tudo bem. Estou maluco por escrever isto? Vejam as reacções ao jogo de futebol do último Sábado. Perderam? A culpa é do árbitro que quis beneficiar o Benfica descaradamente. Vejam o que acontece quando perdem contra o rival Porto. Perder com o Porto para o adepto sportinguista? Normal. É o estádio do Dragão, não é? Anos e anos de normalidade a perder com o Porto e anos e anos de injustiças contra o Benfica. O Sporting, se formos a ver bem, nunca merecia perder contra o Benfica. Nunca. Que o diga o Adrien.
O adepto sportinguista continua portanto profundamente afectado por um complexo em relação ao Benfica e nos dias que correm, como já não há Godinho Lopes nem nenhum Evaldo para culpar, culpa-se o árbitro quando se perde. Mas o sportinguista é diferente do benfiquista? Não. A vontade de atribuir uma culpa depois do desfecho dum jogo é igual, a única diferença entre um benfiquista e um sportinguista é a rivalidade com um portista. 

No resto dos estádios a miséria é ainda mais séria. Estádios vazios. Jogos da primeira divisão, muitas vezes de altíssima qualidade, com 1000 adeptos ou menos a assistir. Porque é que isto acontece? Porque o futebol está descredibilizado, abandalhado e mal-amado. Porquê? Lê o texto outra vez e reflecte sobre a forma como tens apoiado o teu clube nos últimos anos. Se enfiaste a carapuça é porque o futebol português não precisa de adeptos como tu.

domingo, 10 de novembro de 2013

4ª Eliminatória da Taça de Portugal

Benfica 4-3 (a.p.) Sporting - Jogo lindo. Expoente máximo. Lisboa menina e moça parou para ver a bola rolar numa noite bonita com um recorte de lua envergonhada, uma lua que não quis aparecer para dar todo o protagonismo a estes artistas do relvado. 
Exigia-se ao Benfica que continuasse o que fez em Atenas. Exigia-se ao Sporting o mesmo empenho de sempre. 
O Benfica continuou o que fez em Atenas e fez mais ainda. Marcou golos - Cardozo desbloqueou. Mostrou raça, empenho que poucas vezes tínhamos visto esta época em competições nacionais. Amorim apareceu como pulmão do meio campo, Matic começava a encontrar o caminho, Enzo mais solto partia diabólico para cima do Sporting. Foi um meio campo que quase sempre se superiorizou ao jovem tridente leonino. Um meio campo que proporcionava o show infernal de Cardozo. Cardozo por 3 vezes lesionou a baliza leonina e não fosse Patrício a salvar o poker, a lesão poderia ter sido mais traumática ainda para o Sporting no resultado final.
Do outro lado o Sporting e a sua juventude leonina. Os 7 mil adeptos nas bancadas, orgulhosos dos seus putos, observaram este jogo épico e acimentaram a certeza de que há matéria prima para construir uma máquina para o futuro. Carlos Mané é um puma, Adrien é o leão experiente que comanda a selva e André Martins movimenta-se com a elegância de um leopardo. O problema - e recuando às memórias do Dragão - são os dois gatinhos que jogam a centrais e que não dão a força para a equipa se aguentar na savana. A 1ª parte do Sporting foi fraca e os erros defensivos quase que assinavam a sua sentença de morte. Com fome, o leão na última meia hora da 2ª parte e explorando muito bem as bolas paradas, consegue um empate dramático para tornar este derby num épico ao futebol. 
Tudo o que o Benfica tinha feito de bem em futebol corrido, anulando praticamente a zero os lances de perigo (para além do 1-0 do Capel e a bola no poste do Slimani), foi deitado a perder em desconcentrações defensivas nas bolas paradas. Mérito também ao Sporting que tem em Adrien um marcador exímio tanto de livres quanto de cantos.
O prolongamento mostrou a águia como fénix renascida. Poucos Benfiquistas esperavam uma resposta ao 3-3. A equipa tinha jogado na 3ª feira, o Sporting tinha jogadores mais jovens, mais frescos, tudo apontava para um prolongamento demolidor destes rapazes. Assim foi. Um rapaz do Sporting, Rui Patrício, tratou de demolir todas as esperanças verdes neste jogo e pouco ou nenhum Sporting se viu no desfecho deste jogo épico. 
Alguns sportinguistas acabaram o jogo com queixas de Duarte Gomes. Os dois grandes sportinguistas com que falei no final do encontro não mencionaram por uma única vez o árbitro e preferiram referir apenas o futebol. Dizer que o Sporting perdeu por culpa de Duarte Gomes é ridículo. O Sporting perdeu por caprichos do futebol. Não se viu em Bruno de Carvalho, no 1-1 em Alvalade para o campeonato, a mesma indignação com o golo em fora de jogo de Montero. De qualquer forma parece-me que o penalty não assinalado de André Almeida é a mancha que não se queria ter na camisa deste jogo. O esparguete estava tão bom, era escusado ir com manchas para casa. Esta mancha traduz também ela o que se passa em Portugal no futebol. As equipas, com orçamentos baixos como é o caso do Sporting, fazem futebol ao nível dos maiores orçamentos da Europa, para depois termos arbitragens sempre tão fracas, sempre tão anti-futebol, sempre a suscitar a dúvida de que houve trafulha. Neste jogo não houve trafulha. Duarte Gomes, num jogo complicado, não esteve ao nível que se exigia, mas não acredito que tenha apitado com o objectivo de beneficiar o Benfica. A verdade é que o Benfica foi superior ao Sporting em 90 minutos do encontro, sendo o Sporting superior ao Benfica nos outros 30 minutos, entre os 62 e os 94'. Esta é a verdade nua e crua deste jogo épico. Venham mais jogos assim.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

EUROPA, Fase de Grupos, 4ª Jornada




Olympiakos 1-0 Benfica - Não comprem o Guarda-Redes do Olympiakos que não é preciso! Vou contar-vos como foi este jogo. Começa o jogo e tal, granda Benfica, Cardozo lá para dentro... Trava Abílio, é do capitão Roby! Continua o jogo e tal, granda Benfica, Markovic lá para dentro? Trava, Abílio, é do capitão Roby! Continua o jogo e tal, canto para o Olympiakos, bora jogar ao macaquinho do chinês? 1, 2, 3, macaqui... Golo do Olympiakos. Continua o jogo e tal, Markovic, granda Benfica, vai lá para dentro? Trava, Abílio, é do capitão Roby! Continua o jogo e tal, olha o Gaitan, desta é que vai ser... Tudo a levantar-se do sofá com a cerveja já a saltar! GOOOOO...Hã?... Trava, Abílio, é do capitão Roby! Fim.
Este jogo foi uma pilha de nervos para qualquer adepto benfiquista e uma barrigada de riso para portistas e sportinguistas sempre que o Roberto fazia mais uma defesa. O resultado é injusto e castigador para um Benfica que parecia uma fritadeira sempre que tinha que enfrentar o Roberto. Foi uma defesa ainda abananada com a entrada em jogo do Roberto que congelou para ver o Manolas cabecear à vontade para fazer o resultado final. Foi um meio campo perfeito, que fez tudo o que devia e mais ainda, para todos os esforços serem desperdiçados pelo pequeno génio Markovic, que ainda está no ensino básico no longo caminho que o vai levar ao doutoramento nas quatro linhas. Esta inexperiência do puto e a falta de inspiração do resto da equipa ditaram a desgraça. Grande, muito grande exibição do Ruben Amorim. Grande, grande exibição do Enzo Perez. O Jorge Jesus se pudesse, hoje, tinha entrado dentro de campo, tinha agarrado no apito do Skomina, apitado, tinha pegado na bola  e, agarrando-a com as mãos, tinha ido na direcção do Roberto, tinha-lhe dado um murro nos dentes e com o Roberto no chão, tinha mandado a bola ao ar, ali dentro da pequena área, e mandado um chutão para dentro da baliza. Depois de fazer isto, punha-se aos berros com os jogadores "ESTÃES A VER? É ASSIM! É ASSIM!"

Zenit 1-1 Porto -  Continua a existir um Porto do campeonato e um Porto da Europa. Temos visto também um pouco o mesmo no Benfica. Os jogadores apresentam-se naturalmente motivados, com vontades e ganas que não se vêem em jogos no nosso país. A 1ª parte do Porto foi boa e a equipa não merecia a paragem cerebral de Helton que permitiu o empate ao Hulk. Já a 2ª parte deixou claras as fragilidades do plantel. Fonseca tinha neste jogo um banco composto por Fabiano, Maicon, Reyes, Agu, Ghilas, Licá e Ricardo. Parece o banco da Académica? Têm razão. É de facto muito pouco para uma equipa que no 11 inicial tem 7/8 jogadores de classe mundial. O estilo italiano do Zenit impôs-se ao estilo mais latino do Porto na maioria do jogo. O Porto conseguiu aqui o mal menor, o empate, que faz com que a equipa ainda possa sonhar com a qualificação.

Dnipro 2-0 Paços de Ferreira - O bigodes Calisto entrou no Paços todo lamechas, choramingas, a lamentar-se que a equipa defendia mal e que não tinha soluções para o ataque. Eu sei que o xarope que o Costinha deu aos castores os fez boiar a todos no rio, mas o Paços não precisava de um Calimero destes nesta altura do campeonato. O que o Paços precisava era de um gajo com pelos no peito em vez de pelos no bigode, que dissesse ao Seri que quando o loirinho Konoplyanka passasse do meio campo, tudo o que fosse bocadinho de pele e osso na perna dele era demais. Bonés JCA precisam-se. Este Paços é vergonhoso. O Paulo Fonseca cada vez que vê um extremo fazer o que o Konoplyanka fez ao Paços começa com o queixo a tremer todo choramingas como o Calisto.

Estoril 0-0 Friburgo - Desde que o Carlitos regressou à titularidade o Estoril do Marco Silva parece o trânsito na marginal a atacar. O Luís Leal gostou tanto de figurar no 11 Pé de Barrote que agora quer mostrar aos leitores do Ai Vale Bujas que merece lá ficar por mais tempo. Brincadeiras à parte, o Estoril merecia claramente ganhar esta partida e por 2 ou 3 golos de diferença. Com um orçamento menor mostrou tanto na Alemanha quanto em Portugal que merecia estar nas últimas jornadas a disputar a passagem com Sevilha e Slovan. É pena que em ano de estreia na Europa a inexperiência esteja a ser tão evidente. Exigia-se um Estoril mais frio.

Vitória de Guimarães 0-1 Betis - Pior jogo do Vitória nesta edição da Liga Europa. 1ª e 2ª parte a mostrarem mais do que temos visto, com boa consistência defensiva mas depois a equipa demonstra fraca ligação ao ataque, não chega com qualidade ao último terço. Neste jogo, sem Marco Matias, isso tornou-se ainda mais evidente e os únicos lances de registo foram de bujas do Olímpio ou do André Santos. O jogo foi uma travessia do deserto para quem assistia mas o Betis na 2ª parte trouxe o camião do Dakar e chegou ao oásis. Vitória merecida da única equipa que criou perigo no último terço. Agora é ganhar na Croácia e depois resolver com o Lyon. Apuramento é possível.




11 Pé de Barrote Nº9


Equipamento em homenagem ao Gil Vicente. Merecida homenagem ao Gil do Cacioli, Drulovic, Mangonga e Tuck. Desejo muito sucesso aos homens do Fiusa para esta época! Nunca pensei que a saída do Cláudio (sósia do Brassard) não tivesse influência na equipa. 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

9ª Jornada 2013/14

Académica 0-3 Benfica - Anti-praxe e com borra na escolha múltipla. Assim se apresentou o Benfica na 6ª feira. Entrada muito fraquinha no jogo, com pouca iniciativa e à espera do erro dos estudantes. Mas a coisa não estava fácil sem a bateria desritmada de Reiner e com o Djavan a tocar serenatas em cima do Maxi Pereira. João Real era a voz que com pulmão lamentava as anteriores oportunidades de Reiner na serenata de Conceição. Não é fácil conquistar Jesus quando está Cardozo em campo e uma buja do paraguaio juntamente com o habitual pandan defensivo da Académica ditaram a sorte do jogo. O Benfica mais veterano foi até ao final moendo o caloiro conimbricense e um tirano sérvio, Markovic, tratou de enfiar a cabeça da Académica na sopa. O que ele fez não é classe, é malvadez. O Abdi vê o Markovic fazer aquilo e fica sem vontade de ir aos treinos o resto da semana...

Sporting 3-2 Marítimo - Os leões andaram a brincar com o fogo e neste jogo quase se queimaram. O Bruno de Carvalho tantas larachas quis fazer à custa do Pinto da Costa que agora o árbitro Bruno Esteves quase cortava rente a juba do leão. O penalty assinalado ao Jefferson por "falta" sobre o Sami é hilariante. Juntem-lhe as traquinices do apito com o desacerto do papá Montero - que deve ter dormido pouco na semana passada pelo nascimento do seu petiz - e têm aqui um molho de bróculos para o Sporting. Eu falei em bróculos? Meus amigos, estes felinos, estes putos, são omnívoros. Tanto comem um molho de bróculos como desfazem um naco na pedra a seguir. Grande resposta do Sporting contra um Marítimo sem Briguel (vale logo a dobrar). A resposta pedida por Leonardo Jardim está aí para toda a gente ver.

Belenenses 1-1 Porto - Jorge Jesus o principal culpado. Foi o Jorge Jesus que ensinou o Belenenses a não jogar com o Miguel Rosa sempre que lhe apetecer ganhar uns pontos. Foi o que o Jesus fez enquanto o Rosa esteve no Benfica! Depois o resto do jogo foram os habituais pastéis. O Mangala achou mal vir a Lisboa só para petiscar e então vai daí e fez uns malabarismos lá no jogo, como quem mete canela e açúcar no pastel. Do lado do Belenenses tenho que dizer que a dupla improvável de um islandês (Daníelsson) com um maliano (Diakité) esteve impecável. O Tiago Silva voltou a ter pormenores fantásticos, o rapaz juntamente com o Bernardo Silva são os futuros 10 da nossa nação. Do lado do Porto foi tudo muito amorfo, parecia cada um por si no ataque, com a defesa em invulgares tremeliques, num jogo muito pobre do conjunto. 

Braga 0-1 Rio Ave - Ainda estou a pensar se a sorte do Rio Ave foi ter saído o Salin, se foi o Roderick entrar para segurar o resultado aos 74' (toda a gente sabe que dá resultado) ou se a sorte do Rio Ave foi mesmo o Ruben Micael e o Edinho. Vocês já estão fartos de me ouvir falar nestes dois, mas eu sou só um mero taxi que os adeptos do Braga apanham para ir bater mais um bocado nestes dois trambolhos. Mas calma, neste jogo nem tudo foi mau para o Braga. O Edinho já conseguiu fazer um remate à baliza. Eu vi. Foi aos 87' na sequência dum livre. Outra coisa boa para o Braga foi ver que o Hugo Vieira quando entra justifica o que eu ando a dizer, logo ainda há uma esperança no fundo do túnel. O Braga tem bons médios ofensivos: Alan, Hugo Vieira, Rafa e Salvador Agra. Tem um bom ponta de lança: Eder. A partir daqui custa muito fazer um 11 base ainda por cima tendo em conta que não há Europa?

Gil Vicente 1-0 Vitória Guimarães - Uma vitória à italiana contra um vitória que também tem jogado à italiana. Grande trabalho do João de Deus. O Gil mói as engrenagens aos adversários, mas tenho a dizer que o Vitória não se fica e luta. Mas... Mas... Que César Peixoto é este? Até um golo de pontapé de bicicleta ia marcando. Durante o jogo fazia passes açucarados, remates perigosos, recuperava bolas e pronto, até um golinho marcou. Mas este golinho tem muito que se lhe diga... A bola parecia a jabulani e o Douglas parecia uma vuvuzela furiosa, em pânico e a irritar todos os adeptos do vitória! O jogo foi condicionado também com mais uma péssima arbitragem de Rui Costa que não mostrou vermelho directo ao Gabriel, mesmo no final da 1ª parte, por uma entrada bárbara no Leonel Olimpio. Outro que também merecia vermelho directo era o ponta de lança Simy pelo futebol que pratica. É sofrível. Se querem jogadores destes no nosso campeonato mais vale começarem a contratar jogadores de basket, o efeito é o mesmo.

Nacional 0-0 Olhanense - Belec e Gottardi. Já tinha falado no GR esloveno do Olhanense e o puto continua a mostrar que tem capacidades acima da média. Gottardi é já um daqueles nomes da nossa liga que toda a gente conhece mas a que ninguém dá muito valor. Duas muito boas exibições num jogo que a ver pelo relato da Antena 1 e pelo resumo feito pelo canal de resumos do Nacional parece ter sido animado. A expulsão do Ali Ghazal parece-me mais um erro do Duarte Gomes... Não sei se o Olhanense do Paulo Alves aguentava um Nacional com 11 os 90 minutos.

Estoril 0-2 Vitória de Setúbal - Este jogo foi britcom. O festival de golos falhados do Estoril... Só visto mesmo. O Luís Leal consegue lugar no 11 Pé de Barrote, algo que eu estava longe de imaginar possível nas últimas semanas. O Vitória do Couceiro, com o Tacuarita de regresso à titularidade, teve sorte tanto no jogo quanto no árbitro, Jorge Sousa. E dizem vocês "ah ele só diz isso porque está ressabiado com a saída do Mota!" Claro, pá! O Mota é que rula. O lance do 2-0 é também uma pirilada valente do Vágner que leva um chapéu monumental do Terroso depois de ele próprio, estando subido no terreno, tratar de entregar o ouro ao bandido.

Arouca 0-0 Paços de Ferreira - Filipe Anunciação e Bruno Amaro conseguiram meter a conversa em dia neste jogo. Consta que falaram da Casa dos Segredos, dos comentários do Carlos Daniel ao Cardozo e ao Costinha, da família e do novo hamburguer Mac Lusitano do MacDonalds. Estão ambos muito tristes porque nas suas aldeias não há Mac. Mas quem corre por gosto não cansa. Como esta malta é mais comes e bebes do que futebol, não se cansaram no jogo e foram todos a pé ao MacDonalds mais próximo no final do jogo. Pudera, todos fresquinhos depois desta seca de jogo. Chipre, amigos. Não querem Chipre? Roménia. 2ª liga ou assim.