domingo, 10 de novembro de 2013

4ª Eliminatória da Taça de Portugal

Benfica 4-3 (a.p.) Sporting - Jogo lindo. Expoente máximo. Lisboa menina e moça parou para ver a bola rolar numa noite bonita com um recorte de lua envergonhada, uma lua que não quis aparecer para dar todo o protagonismo a estes artistas do relvado. 
Exigia-se ao Benfica que continuasse o que fez em Atenas. Exigia-se ao Sporting o mesmo empenho de sempre. 
O Benfica continuou o que fez em Atenas e fez mais ainda. Marcou golos - Cardozo desbloqueou. Mostrou raça, empenho que poucas vezes tínhamos visto esta época em competições nacionais. Amorim apareceu como pulmão do meio campo, Matic começava a encontrar o caminho, Enzo mais solto partia diabólico para cima do Sporting. Foi um meio campo que quase sempre se superiorizou ao jovem tridente leonino. Um meio campo que proporcionava o show infernal de Cardozo. Cardozo por 3 vezes lesionou a baliza leonina e não fosse Patrício a salvar o poker, a lesão poderia ter sido mais traumática ainda para o Sporting no resultado final.
Do outro lado o Sporting e a sua juventude leonina. Os 7 mil adeptos nas bancadas, orgulhosos dos seus putos, observaram este jogo épico e acimentaram a certeza de que há matéria prima para construir uma máquina para o futuro. Carlos Mané é um puma, Adrien é o leão experiente que comanda a selva e André Martins movimenta-se com a elegância de um leopardo. O problema - e recuando às memórias do Dragão - são os dois gatinhos que jogam a centrais e que não dão a força para a equipa se aguentar na savana. A 1ª parte do Sporting foi fraca e os erros defensivos quase que assinavam a sua sentença de morte. Com fome, o leão na última meia hora da 2ª parte e explorando muito bem as bolas paradas, consegue um empate dramático para tornar este derby num épico ao futebol. 
Tudo o que o Benfica tinha feito de bem em futebol corrido, anulando praticamente a zero os lances de perigo (para além do 1-0 do Capel e a bola no poste do Slimani), foi deitado a perder em desconcentrações defensivas nas bolas paradas. Mérito também ao Sporting que tem em Adrien um marcador exímio tanto de livres quanto de cantos.
O prolongamento mostrou a águia como fénix renascida. Poucos Benfiquistas esperavam uma resposta ao 3-3. A equipa tinha jogado na 3ª feira, o Sporting tinha jogadores mais jovens, mais frescos, tudo apontava para um prolongamento demolidor destes rapazes. Assim foi. Um rapaz do Sporting, Rui Patrício, tratou de demolir todas as esperanças verdes neste jogo e pouco ou nenhum Sporting se viu no desfecho deste jogo épico. 
Alguns sportinguistas acabaram o jogo com queixas de Duarte Gomes. Os dois grandes sportinguistas com que falei no final do encontro não mencionaram por uma única vez o árbitro e preferiram referir apenas o futebol. Dizer que o Sporting perdeu por culpa de Duarte Gomes é ridículo. O Sporting perdeu por caprichos do futebol. Não se viu em Bruno de Carvalho, no 1-1 em Alvalade para o campeonato, a mesma indignação com o golo em fora de jogo de Montero. De qualquer forma parece-me que o penalty não assinalado de André Almeida é a mancha que não se queria ter na camisa deste jogo. O esparguete estava tão bom, era escusado ir com manchas para casa. Esta mancha traduz também ela o que se passa em Portugal no futebol. As equipas, com orçamentos baixos como é o caso do Sporting, fazem futebol ao nível dos maiores orçamentos da Europa, para depois termos arbitragens sempre tão fracas, sempre tão anti-futebol, sempre a suscitar a dúvida de que houve trafulha. Neste jogo não houve trafulha. Duarte Gomes, num jogo complicado, não esteve ao nível que se exigia, mas não acredito que tenha apitado com o objectivo de beneficiar o Benfica. A verdade é que o Benfica foi superior ao Sporting em 90 minutos do encontro, sendo o Sporting superior ao Benfica nos outros 30 minutos, entre os 62 e os 94'. Esta é a verdade nua e crua deste jogo épico. Venham mais jogos assim.



2 comentários:

  1. Não concordo com 2 aspectos: com os elogios ao André Martins (que de felino só o facto de se esconder da bola), nem ao centrais. Não são de encher o olho, mas não me parece que seja só por ai. Vem mais do facto de termos um meio campo macio, com o André Martins sempre a tirar o pé, do que outra coisa. Ainda por cima, um central marca um golo e ambos foram entre o Garay e o Luisão...
    De resto, sim, o árbito ajuizou pior os lances favoráveis ao Sporting. Se, se, se...

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